14/08/2012

A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO E A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA



        Neste post vou fazê-lo em tópicos para construção do pensamento, não vou transcrever todos os textos, mas porei (como de costume) link para o texto bíblico numa Bílblia on-line.

        Vamos primeiramente ter algumas coisas em mente antes de começar a escrever efetivamente para a construção do nosso itinerário.

  • Quando Paulo fala de “escritura” em sua segunda carta à Timóteo (3:16) Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” ele se referia ao Primeiro Testamento. (lembremos que o segundo testamento ainda estava sendo escrito, alguns evangelhos datam do final do primeiro século);
  • Este primeiro testamento era praticamente a única história escrita dos judeus;
  • Assim como Jesus expõe, por ocasião da sua caminhada com dois discípulos à Emaús, Paulo via a obra de Cristo como a culminação dessa “História da Pátria” que podemos dizer ser uma “História da Salvação” ou ainda “Plano de Deus para a Salvação”.

        Nosso foco, em semelhança ao post “SAL-VA-ÇÃO, SALVAÇÃO, VAMOS PENSAR”, é alargar, ter uma visão global/integral da mensagem bíblica como história da Salvação.

I – Bíblia de Gênesis a Apocalipses, uma história.

        Não sou muito afeito a realizar uma leitura sincrônica da Bíblia, mas uma coisa me chama a atenção. A Bíblia é um livro que começa e termina com quase as mesmas palavras (com o mesmo tema, com certeza) veja:
No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 01:01) e “Então vi um novo céu e uma nova terra” (Apocalipse 21:01). A mensagem bíblica se dá nessa marcha de uma criação para a outra onde se realiza o Plano da Salvação, vamos caminhar nessa marcha:
  • Na narrativa de gênesis, vemos a desobediência destruindo (Gênesis 03:06) a boa ordem da criação. E ai temos o primeiro fraticídio (04:08), a presença de bigamia (04:19), assassinato (04:23) e por ai a fora;
  • Quando chegamos no capítulo 12 há o início de uma nova história de graça e bênção (12:03) com a chamada de Abrão. É a graça de Deus lutando com o pecado para preservar o sentido original da criação (que só se realizará plenamente na nova criação)
- Um parênteses aqui, só pra pensar numa coisinha... Segunda carta de Paulo aos Coríntios (05:17) diz Portanto,se alguém está em Cristo, é nova criação.” Interessante isso! Podemos dizer que somos as primícias dessa nova criação, logo representantes dela – deste Reino de Deus. Legal, não?

II – Abraão, com ele inaugura uma nova História da Salvação

  • Irrompe bênção e graça;
  • É chamado para uma peregrinação de fé;
  • Fé esta que lhe imputa (atribui) justiça;
  • É identificado como amigo de Deus (II livro de Crônicas 20:07; Isaias 41:08);
  • Dele surge um novo povo próprio de Deus;
  • A promessa recebida por Abraão e renovada com seus descendentes aparece sempre com duas palavras: “bênção” e “nações”. A primeira reação de nós, cristãos, ao lermos essa passagem é pensar que esta bênção é Cristo (que irá nascer da descendência de Abraão), mas vamos com calma... No pensamento hebraico e no contexto os termos são literais e, em princípio, não devem ser (digamos) espiritualizados.
  • Bênção é o que chamamos de bem-estar, é a shalom dos judeus, é a vida (Deuteronômio 30:19-20) abundante em todas as dimensões e relações.
  • Nisto é interessante ver o comportamento diplomático de Abraão resolvendo os litígios de alguns grupos na terra. Gerando a paz e o bem-estar entre as partes. Mas sobre tudo há um momento em que esse chamado de ser bênção às nações se realiza plenamente: estamos falando de José.

III – José, a realização plena da promoção de bênção (bem-estar, paz) para às nações

  • Com José no segundo cargo de mais importância no governo do Egito (somente abaixo do Faraó) ele cria dispensas para alimentar pessoas durante uma crise de desabasticimento;
  • A maldição atuou contra ele (quando foi vendido como escravo pelos seus irmãos) porém Deus a transformou em bênção;
  • Deus o chama para a “diaconia política” (política, no dicionário é promover o bem-estar de todos);
  • Com José a promessa é cumprida literalmente e do povo de Deus a vida das nações é conservada;

    Uma primeira conclusão: Compreender o Evangelho (boa nova) segundo as Escrituras (no caso, 1º e 2º testamentos) é entedender como “bênção às nações”, ou simplesmente ser uma bênção à todas as pessoas.
1)    Bênção espiritual – Fé na morte de Cristo;
2)    Bênção pessoal – Conhecer pessoalmente a Cristo;
3)    Bênção física e material – conotação da palavra bênção no hebraico.
    Logo, evangelizar é chamar pessoas a Cristo para perdão dos seus pecados e se incorporarem ao projeto de serem bênção para as pessoas em seu redor (quer crente ou não).

    Falamos de Abraão, José agora daremos um outro salto e chegaremos ao Êxodo...

IV – Êxodo, a História continua.

- No livro de Levíticos 25:08-17 nos versos de 08-10 observamos uma espécie de Reforma Agrária;
- No Deuteronômio 15:01-11 se estipula que teriam que ser perdoadas todas as dívidas entres os israelitas de tempos em tempos (pré-determinado em Lei). Isto evitava a geração de pessoas oprimidas (devedores oprimidos por credores) na prática era algo que evitava a proliferação de pobreza no meio do povo de Deus. A lógica, falando de maneira bem simples, era "eu um dia fui escravo e de graça Deus ne libertou, assim também não escravizarei quem me deve";
- Ainda no Deuteronômio 15:12-18 versa sobre a emancipação de escravos;
  • O ciclo de comemorações do Êxodo está presente em toda a mensagem bíblica;

    Os profetas evocam a todo o momento essa tradição do Êxodo.

V – Profetas, portadores da tradição exodiana (ou tradição do Êxodo)

    Cabe ressaltar aqui o que é um profeta. Profeta é aquele que denuncia o pecado do povo ou das autoridades do povo, anunciando as consequências que isso acarretaria a Israel. Profeta não é um adivinho, o futuro que ele anuncia é consequência lógica do não cumprimento da Lei de Deus. A Lei de Deus, se fosse levada a sério, fortaleceria o povo, mas, sendo ignorada este comportamento geraria opressão entre o povo, logo ele ficaria enfraquecido. Vamos ver aqui uma pequena demonstração da denúncia que os profetas faziam em torno da não observação do Ano do Jubileu e do espírito (essência) do credo e da tradição exodiana:
  • Miquéias denuncia
- A opressão (02:08-09)
- Os opressores (07:03-04)

Agora cabe aqui um destaque todo especial:
Isaias
Jesus
Jesus toma para si esta tradição de justiça do Êxodo e dos profetas!


Conclusões finais:


        Essa tradição de promoção do bem-estar (da shalom - a paz que não é simplesmente a ausência de guerra, mas o bem-estar em todas as dimensões do ser humano) começa no Jardim do Éden, mas isto se perde com a desobediência. Para salvar o homem Deus inicia um projeto em Abraão, projeto que avança nas conseqüências do Êxodo, é sustentado pelos profetas, assumido por Cristo, e deve ser praticado pela Igreja e se realizará cabalmente (por completo) no fim de tudo onde “não haverá maldição nenhuma” (Apocalipse 22:03).


10/08/2012

BREVE, EM UMA RUA PERTO DE SUA CASA.

Eis um valor que precisa ser resgatado, ou tão logo esta cena será uma realidade.


"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo" Joseph Addison




06/08/2012

LIVRES DA PERFEIÇÃO QUE SÓ FAZIA ESTRAGOS


         Tem uma música interessante do Nando Reis chamada “A minha gratidão é uma pessoa”. Fala de alguém que perdoou seu companheiro de um erro que ele cometeu, das dificuldades que é conviver com isso, mas também da necessidade de se superar a mágoa, a ferida causada e seguir em frente admitindo que não se pode achar a perfeição numa pessoa, num ser humano. Interessantíssima é a última frase da poesia dessa música que diz que eles “estavam livres da perfeição que só fazia estragos”.

         Fiquei ruminando essa frase “estavam livres da perfeição que só fazia estragos” e com a mente de quem gosta de pensar sempre trazendo a pergunta “o que de Deus pode ter ai?” passei a pensar teologia com essa frase na cabeça.

         Com Paulo em mente, penso que uma das falhas de se viver e expressar o cristinismo está na auto-cobrança e cobrança externa opressiva que vemos hoje para se exigir perfeição do homem e da mulher de Deus. Porque Paulo em mente? Lembrei do apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses (no capítulo 3 versículo 12) “Não que já a tenho alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus”. Vejam que o Apóstolo fala claramente que ele não alcançou, ele não é perfeito!

         Vivemos hoje na "ditadura da excelência", falamos de "vitória", do "sucesso", da "conquista". E há extrema dificuldade de se viver o "caminhar mais uma milha", de ter tolerância, paciência, praticar o perdão e, sobretudo, o amor. Exigimos a perfeição de tal forma e nos cobramos a perfeição de tal forma que não abrimos espaço para a prática do amor e da misericórdia. E onde está a dinâmica da graça (favor não merecido) nisso?

         Veja bem, não estou aqui falando que devemos viver dissolutamente, sem compromisso com a Palavra e com a vontade de Deus para nossas vidas. Mas estou propondo que passemos a reconhecer, admitir nossa pequenez, as nossas falhas, os nossos dilemas, dificuldades...

         Se cobre menos. Reconheça sua natureza em que errar faz parte. Não é pra que diante do erro você não busque o arrependimento, a confissão e a mudança. Não! Você deve reconhecer o erro, se arrepender, confessar e mudar, mas o que digo é: não se martirize! Reconheça a sua fraqueza, dependa mais de Deus, espere e se apóie em Deus para sua força. Não é a toa que o mesmo apóstolo Paulo na sua segunda carta à igreja de Corinto (capítulo 12 versículo 10) escreve “Porque quando estou fraco, então é que sou forte

         Livre-se dessa ditadura da perfeição que gera opressão, depressão, culpa – “perfeição que só fazia estragos”. E viva na dinâmica da misericórdia e do amor cristão e da dependência e graça do nosso Deus.

02/08/2012

AS QUATRO DIMENSÕES DO AMOR DE DEUS

Mensagem que fechei o XX Encontro de Jovens com Cristo em 22/07/2012 na Primeira Igreja Batista em Vila da Penha. Quando tiver acesso ao vídeo postarei aqui. 

“Efésios 3. 14 14 Por esse motivo, eu me ajoelho diante do Pai, 15 de quem todas as famílias no céu e na terra recebem o seu verdadeiro nome. 16 E peço a Deus que, da riqueza da sua glória, ele, por meio do seu Espírito, dê a vocês poder para que sejam espiritualmente fortes. 17 Peço também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês. E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor, 18 para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade. 19 Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza. 20 E agora, que a glória seja dada a Deus, o qual, por meio do seu poder que age em nós, pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos! 21 Glória a Deus por meio da Igreja e por meio de Cristo Jesus, por todos os tempos e para todo o sempre! Amém!”
            No texto acima, vemos que o apóstolo Paulo, orava de joelhos pedindo a Deus que todos os crentes, tanto judeus quanto gentios (todo o povo de Deus/ todos os santos/ todos os consagrados/ todos os cristãos) viessem a compreender (vrs. 18) as dimensões do amor de Deus.
            Para isso ele pede que sejamos “espiritualmente fortes” (vrs. 16) por meio da ação do Espírito Santo e que “Cristo viva (habite) no nosso coração” (vrs. 17), pois é isso que nos dará “raízes e alicerces” para compreender o amor de Deus manifestado em Cristo Jesus.
            A palavra usada para “compreender” no vrs 18 é “katalambanô” que significa: “tomar ansiosamente”; “apropriar-se”; “apoderar-se”; “possuir”. O apóstolo queria ardentemente que aqueles homens e mulheres, então, não só soubessem (um discurso) do amor de Deus, mas que também o experimentasse. 
            Por isso que não estamos diante de um texto em 3D, mas de um texto em 4D. Quando você vai a um cinema hoje tem a opção de ver o filme em 3D e ai você tem a sensação de um objeto estar vindo na sua direção. Você tem a idéia exata de espaço e volume das coisas, mas não consegue pega-las, não consegue experimentá-las.
            Mas o texto aqui nos oferece uma perspectiva diferente, ele quer que experimentemos o amor de Deus manifestado em Cristo Jesus.
            E nós vamos agora considerar essas 4 dimensões do amor de Deus.

A primeira dimensão citada pelo Apóstolo Paulo é...

A LARGURA DO AMOR DE DEUS

          Quando eu penso na largura do amor de Deus eu lembro que o seu amor abrange/abraça a todos, indistintamente, sem descriminar raça, cor, status social ou aparência. O apóstolo Pedro, em seu discurso na cidade de Cesaréia, em Atos 10. diz:  “34 Então Pedro começou a falar. Ele disse: - Agora eu sei que, de fato, Deus trata a todos de modo igual, 35 pois ele aceita todos os que o temem e fazem o que é direito, seja qual for a sua raça.”.
           Nós podemos ter essa inclinação de fazer acepção de pessoas, mas Deus não! Deus encarnado, ou seja, Jesus Cristo foi buscar a todos e esteve com os marginalizados de sua época (publicanos, prostitutas, samaritanos). Ele veio “buscar e salvar quem está perdido.Lc 10:19
          O mesmo Pedro, em sua primeira carta, I Pedro 1. 17-19 (AR-IBB), escreve:  17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,.
          Jesus, após sua ressurreição dentre os mortos, reunido com seus discípulos deu-lhes a eles e também a nós que hoje somos seus discípulos a seguinte ordem: Marcos 16. 15 “Então ele (Jesus) disse: Vão pelo mundo inteiro e e anunciem o Evangelho a todas as pessoas”. Sem acepção de pessoas. Atos 01: 08 “Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.

Essa é a primeira dimensão do amor de Deus a sua largura abraça a todos. A segunda dimensão é...

O COMPRIMENTO DO AMOR DE DEUS

Quanto ao comprimento o amor de Deus abrange todos os tempos. A salvação que temos hoje em Jesus foi planejada e conhecida há muitos e muitos anos atrás antes mesmos que qualquer coisa fosse criada aqui na Terra. Continuando a ler o texto de I Pedro 1 que estávamos lendo temos o seguinte:
“18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, 19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo 20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós,”
No capítulo 4 de Lucas nos vrs 16-20, Jesus anuncia o início de um novo tempo, ele anuncia o início do “ano da graça do Senhor”. Esse ano é uma nova era em que os homens não estão mais debaixo da Lei, mas pela graça que há na Salvação em Cristo Jesus todos os homens e mulheres tem acesso a livre a Deus, pelo sangue de Cristo.
          Contudo haverá um dia que Cristo voltará para buscar a sua amada igreja. Dia esse que ninguém sabe, senão somente Deus, conforme palavras de Jesus em Marcos 13:32 “- Mas ninguém sabe nem o dia nem a hora em que tudo isso vai acontecer, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”.
          Fomos alcançados, sem merecer, pela graça salvadora de Jesus Cristo que muito nos amou. Em Efésios 2. 1-5, o apóstolo Paulo Diz:  “5 quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo. Pela graça de Deus vocês são salvos.”

Esse amor que a todos abraça sem distinção * em qualquer tempo que for * ainda tem uma terceira dimensão que é...

A ALTURA DO AMOR DE DEUS
            Pensemos agora no abismo substancial que há entre Deus e o Homem. O amor de Deus encurtou essa distância, pois Cristo Jesus se fez ser humano como eu e você – de carne e osso.
            Ele esvaziou-se da sua majestade por amor a nós, miseráveis pecadores. Não merecíamos que Jesus passasse por tão grande humilhação, isso é fruto da sua riquíssima misericórdia. Filipenses 2. “5 Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, 6  que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; 7 mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. 8 E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!”
                 Veja que exemplo! Exemplo que nós devemos também seguir “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”. Devemos conhecer = experimentar e nos apropriar desse amor para replicá-lo, imitá-lo nas nossas relações.
            Mas também ele não diminuiu essa distância reduzindo a nossa condição, mas também elevando a nossa condição como diz em Efésios 02:06  está escrito: “Por estarmos unidos com Cristo Jesus, Deus nos ressuscitou com ele para reinarmos com ele no mundo celestial.” (NTLH) OUTRA TRADUÇÃO >> “e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus (AR-IBB).

E estamos cadê fez mais conhecendo esse amor que a todos abraça sem distinção; em todo o tempo; que se diminui para nos alcançar, mas que também nos exaltará e por fim temos a última dimensão que é...

A PROFUNDIDADE DO AMOR DE DEUS

            Do que você seria capaz de abrir mão para fazer o bem à alguém? Vimos na altura a disponibilidade de Cristo em se fazer homem, mas qual é então o nível de liberalidade?
“Por que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 03:16
            A liberalidade está expressa no amor de Deus Pai. Esse amor foi e é tão profundo que foi capaz de dar o seu único filho para morrer em nosso lugar para que fossemos salvos da perdição eterna, nos adotando como filhos, com direito a sua herança, tornando-nos co-herdeiros com seu filho, Jesus Cristo. Gosto muito dessa pintura ao lado, o nome dela é "Crucificação" do pintor catalão Salvador Dalí. Ele a fez sob uma perspectiva pouco explorada pelo pintores - de cima, ou seja, como é que Deus viu o seu Filho, único filho, suportando a dor de todos os nossos pecados. 
             Jesus suportou sofrimentos terríveis, físicos e morais para expiar os nossos pecados. O apóstolo Pedro, na sua 1ª  Carta  2. 24, diz: “O próprio Cristo levou os nossos pecados no seu corpo sobre a cruz a fim de que morrêssemos para o pecado e vivêssemos uma vida correta. Por meio dos ferimentos dele vocês foram curados.”
           
            Por fim... Qual o nosso posicionamento perante o conhecimento e compreensão das quatro dimensões desse insondável e grandioso amor de Deus para conosco?
            O apóstolo Paulo escrevendo a sua segunda carta à igreja de Corinto diz: “Pois o amor de Deus nos constrange...”.
         Constranger significa ficar envergonhado. No contexto que Paulo escreve, esse “constrange” é que o amor de Deus nos deixa meio sem graça, meio desconcertados e nos impulsiona a uma resposta.
            
Essa resposta, meu amigo, é você hoje experimentar esse amor. 

17/07/2012

É MAIS OU MENOS ASSIM

        De fato não foi uma surpresa ver isso, mas não deixou de me impactar. Sabemos que a pós-modernidade se apoia em 3 pilares: Relativismo, Pluralidade e Privatização. 
        Relativismo não tem nada haver com a Teoria da Relatividade de Albert Einstein mas, como o nome já diz, relativiza tudo seja conceitos, valores, moral, etc... Funciona assim: tudo depende da conveniência do momento se aquilo pode me beneficiar mudo a opinião sobre algo que até então era uma "cláusula pétrea" do meu caráter para atender a minha vontade
        Pluralidade é vista até em supermercados! É a gama enorme de opções que se tem a disposição. Lembro-me que lá pela década de 80´s se você fosse comprar uma caneta barata optava basicamente por duas marcas a "BIC" e a "Kilometrica Roller" (hehe). Se for agora comprar uma caneta terá inúmeras opções a sua disposição. No campo religioso isso se caracteriza pela máxima "não existe só uma caminho a seguir e no final a gente vai se encontrar" (tinha uma banda aqui no Brasil que cantava uma música que tinha essa letra, mas agora não me lembro qual...)
        Privatização, não tem nada haver com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. "Privataria Tucana*" (rsrs) que conta das privatizações corruptas que houve no governo de FHC. Não, não tem nada haver com privatização de empresas estatais. Mas privatização é, na pós-modernidade, aquele sentimento que leva o indivíduo a reclusão e ao ostracismo; ele volta-se para si mesmo de maneira egoísta e fechado não de abre a ninguém e não pratica qualquer ação de abertura ao próximo.
        O que não me causou espanto, mas me causou tristeza foi um post que vi hoje ao abrir minha página no Facebook. Veja que a pessoa posta uma foto com os dizeres "Primeiro a Palavra de Deus, depois a sua opinião", mas ao postar coloca o comentário "É mais ou menos assim... Bom dia!" Perceberam o que a foto diz é certo e objetivo não tem uma possibilidade de ideia dúbia é um posicionamento firme, contudo ao postar essa foto a pessoa relativiza dizendo que essa coisa de primeiro vir o que a Palavra de Deus quer e depois a opinião dos outros é relativa - é mais ou menos assim. O que pensar? Parece que a pessoa por vezes considera o que diz a Palavra mas, por vezes dá atenção a opinião dos outros - é mais ou menos assim...
        Não me segurei, e fiz o comentário: "mais ou menos assim?" Isso que chamo de pós-modernidade na Igreja. Relativismo?", ao que a pessoa me respondeu "Isso foi apenas um modo de dizer, mas como sou crescida no evangelho sempre soube e nunca deixei de acreditar que sou muito e extremamente dependente de Deus pra tudo... então a Palavra sempre foi minha aliada em tudo o que fiz." 
    Bom, não entrei em grandes debates teológicos (rsrs) simplesmente respondi "ok, é que o sentido acabou que ficou meio dúbio". Não quero aqui colocar ninguém na “berlinda” (longe disso, por favor!), mas fica para nossa reflexão: Será que não estamos nas nossas atitudes, em nossos pensamentos e como Igreja relativizando a autoridade da Palavra de Deus em nossas vidas bem com outras verdades espirituais? As vezes absorvemos esses conceitos de maneira inconsciente (como esta pessoa que tenho certeza que não quis trazer essa ideia ambígua na sua escrita). E dizemos e fazemos coisas que nem nos damos conta do que estamos dizendo ou fazendo.
        Se liga! Não sejamos relativistas quanto a essas coisas, mas pelo contrário, sejamos sempre “firmes e constantes”.
* O livro mais polêmico do ano [de 2011]. Ele nos traz, de maneira chocante e até decepcionante, a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro, em conluio para roubar dinheiro público. Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por alguns de seus ministros e altos funcionários. Nomes imprevistos, até agora blindados pela aura da honestidade, surgirão manchados pela imprevista descoberta de seus malfeitos (Descrição do livro na Livraria Virtual da FNAC). 

12/07/2012

POMPA E CIRCUNSTÂNCIA - PARTE 2


            Na primeira parte vimos a necessidade de superar a religiosidade e pela simplicidade da Palavra de Deus, pela simplicidade do Evangelho conhecer “a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” para nossas vidas.
            Então a primeira pergunta que temos para o momento é...
I)                    ONDE BROTA A SIMPLICIDADE?
            Quando observamos as virtudes cristãs, dentre elas a simplicidade, na vida de homens e mulheres que experimentaram a Deus, contadas pela Bíblia e pela história, nos perguntamos como nasce esta espiritualidade nas pessoas?
            A resposta está no Evangelho de Lucas 6:45A pessoa boa tira o bem do depósito de coisas boas que tem no seu coração. E a pessoa má tira o mal do seu depósito de coisas más. Pois a boca fala do que o coração está cheio.
            A simplicidade, assim como as demais virtudes nascem em nosso interior, dentro do nosso coração, para depois se tornarem ações, atitudes e comportamento. A direção para a qual corre este rio é sempre de dentro para fora.
            Aquilo que temos dentro de nós, na nascente do nosso coração, virá à tona mais cedo ou mais tarde e revelará quem somos de verdade. O no cap 12 versículo 34 deste mesmo evangelista diz que “Pois onde estiveremas suas riquezas, aí estará o coração de vocês.
            Essa é a “dinâmica da coisa” é algo que brota no interior e se manifesta no exterior.
            Se a primeira pergunta foi ‘onde’ a segunda é...
II)                  COMO BROTA A SIMPLICIDADE?
            A pergunta aqui é para esclarecer como isso funciona? É dom de Deus ou é uma disciplina, uma busca, que requer dedicação, esforço consciente, escolha e ação: um exercício que pela prática nos faz sermos simples?
            Pra entender melhor a questão levantada, vamos mudar as perguntas: O que devo fazer? Tomar uma decisão, revisar meu estilo de vida e me disciplinar? Ou devo somente orar e esperar a ação de Deus em minha vida?
            Será que agora eu vou entrar numa contradição já que disse que brota no coração? É algo de dentro pra fora, mas estou “levantando a bola” de ser possivelmente oriundo de uma disciplina, de um esforço... Será que há contradição nisto?
            Para responder essa pergunta eu gostaria de observar com você 2 versículos da Palavra de Deus um é Tiago 1:16-17Não se enganem, meus queridos irmãos. 17 Tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vêm do céu, vêm de Deus, o Criador das luzes do céu. Ele não muda, nem varia de posição, o que causaria a escuridão.” (opa! Beleza, então vem de Deus) MAS 1ª Co 14: 01 Portanto, esforcem-se para ter amor. Procurem também ter dons espirituais, especialmente o de anunciar a mensagem de Deus.” (opa! Não, nós temos que nos esforçar para conseguir) Ops! Ih, deu nó!
            Quem desata esse nó é um teólogo estadunidense, Richard Foster, ele diz: “Aquilo que fazemos não produz em nós simplicidade, mas nos posiciona no lugar em que podemos recebe-la: diante de Deus, de modo que ele possa operar em nós a graça da simplicidade.” Ou seja: quando decidimos buscar a simplicidade e nos dedicamos em permanecer nesta direção, nos colocamos no ambiente em que a ação de Deus acontece.
            É interessante pensarmos na passagem de cego do tanque de Betesda. Porque vemos naquele homem o desejo pela ação de Deus, a busca e também vemos a ação miraculosa vinda de Deus. Estar perto do “tanque” é crer que Deus visita os homens e mulheres e lhes presenteia com sua Graça. Não há garantias de sucesso, apenas busca e desejo da ação de Deus; Mais foi lá que foi manifestada a graça de Deus por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.

ASSIM COMO:
NÃO GARANTE
MAS
Dedicar tempo para oração
Que alcance intimidade com Deus
Que aprenda a discernir a Sua voz
Este é o ambiente onde Deus se manifesta e aprendemos a ouvir a Sua voz e desfrutar da Sua companhia.
Ler a Bíblia todos os dias
Que alcance sabedoria de Deus
Mas não existe sabedoria que não esteja submissa a Deus e Sua Palavra.
Freqüentar uma igreja
Que encontre comunhão cristã
O ambiente comunitário, a relação com outros discípulos é o ambiente de exercício do amor cristão.
Dividir com generosidade, desapego aos bens, optar pela vida
Que eu me torne uma pessoa simples
Mas é o caminho percorrido por quem encontra a simplicidade.

            Enquanto esperamos a visitação do Espírito que opera em nós a verdadeira simplicidade e a virtude cristã, devemos visitar o ambiente da ação de Deus, as disciplinas espirituais, elas representam o anseio e a esperança de quem deseja mais de Deus e espera mais da vida.
            Então até aqui descobrimos o ‘onde’, descobrimos o ‘como’ mas também vamos perguntar...
III)                PARA QUÊ SER SIMPLES?
            Tem um texto do Evangelho de Mateus que é no mínimo desconcertante ao homem moderno é Mateus 6:25-33 Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? 26 Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? 27 E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso. 28 - E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. 29 Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. 30 É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! 31 Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: "Onde é que vamos arranjar comida?" ou "Onde é que vamos arranjar bebida?" ou "Onde é que vamos arranjar roupas?" 32 Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. 33 Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas.” Vamos lá, dentro do contexto da nossa sociedade dá rolar isso? E ai, meninas dá para relaxar como no versículo 28?
            O convite de Jesus aqui é um convite à simplicidade como um chamado a liberdade. A liberdade de uma realidade que nos aprisiona sem que percebamos. Olha bem a realidade que nos aprisiona:
1 - O excesso de responsabilidades e o ambiente de competição desenfreada em que vivemos – Um querendo o lugar do outro e “salve-se quem puder”, “cada um por si”;
2 - A ansiedade e estresse para cumprir todas as necessidades e desejos por mais fúteis que sejam – “compramos o que não precisamos com o dinheiro que não temos para impressionar quem não conhecemos”
3 - O viver sempre sob a tirania do urgente. “Vivemos apagando incêndios e não temos tempo para construir coisas importantes”, “Tudo é pra ontem”;
4 - A corrida para conquistar e acumular cada vez mais e o consumismo desenfreado.  E outras loucuras da vida da pós-modernidade...

Finalmente... A simplicidade bíblica é um chamado a libertação - Libertação da ansiedade, da preocupação excessiva, da tirania do consumismo, da ditadura da reputação, da riqueza e do poder;
De fato se nos colocarmos diante de Deus, no local da visitação de Deus receberemos dEle, pela graça um coração segundo o Seu querer – um coração simples;
Com este coração, transformado por Deus, desenvolveremos o Espírito de Cristo, de humildade, simplicidade e amor;
Se nos deixarmos perpassar por este Evangelho Cristo; o Filho unigênito de Deus, Jesus nos libertará e verdadeiramente seremos livres (Jo 8:36) para desfrutar livremente da presença de Deus. Amém!

11/07/2012

DE OUTRO BLOG: Entrevista – Alessandro Rocha

Achei muito interessante a entrevista com um dos meus professores do seminário, o Doutor Alessandro Rocha, no Blog "Literatura Teológica". Compartilho com vocês...
A transcrição da entrevista tornou o post um pouco longo, mas é bem interessante para conhecer um pouco mais do pensamento desse "teólogo tupiniquim" como Alessandro Rocha é apresentado na entrevista.  


DE 1655, UM SERMÃO PARA HOJE


Este sermão intitulado "O Sermão do Bom Ladrão", foi escrito em 1655, pelo Padre Antônio Vieira. Ele proferiu este sermão na Igreja da Misericórdia de Lisboa (Conceição Velha), perante D. João IV e sua corte. Lá também estavam os maiores dignitários do reino, juízes, ministros e conselheiros. O que acho interessante é como ele é tão atual para realidade política brasileira, embora tenha sido proferido no século XVI.


            O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou administração das cidades, os quais já com mancha, já com forças roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo: os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. (...)
             Conjugam por todos os modos o verbo rapio, (...) Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem; e gabando as coisas desejadas aos donos delas por cortesia, sem vontade as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito; e basta só que ajuntem a sua graça, para serem, quando menos, meeiros na ganância. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinito, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes, em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas; porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque o presente (que é o seu tempo) colhem quanto dá de si o triênio; e para incluírem no presente o pretérito e o futuro, de pretérito desenterram crimes, de que vendem perdões e dívidas esquecidas, de que as pagam inteiramente; e do futuro empenham as rendas, e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. Finalmente nos mesmos tempos não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos*, e quaisquer outros, porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar, para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados e ricos: e elas ficam roubadas e consumidas... Assim se tiram da Índia quinhentos mil cruzados, da Angola, duzentos, do Brasil, trezentos, e até do pobre Maranhão, mais do que vale todo ele.

*nome de um tempo dos verbos que exprime coisa feita antes de outra também já feita.