Mostrando postagens com marcador Vi por ai.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vi por ai.... Mostrar todas as postagens

01/01/2014

UM PRESENTE CHAMADO ANO NOVO



A vida, tecelã imprevisível, preparou para mim um novo ano que surgiu inacabado e convidativo. Reparei que o presente não estava pronto, o ano está apenas por começar. Mas a vida convidou-me a tecer com ela com as linhas que me trouxe e outras que eu guardava comigo. Gostei do convite.

Tecer com ternura e cuidado um novo ano, um ano que surge com aroma de primavera reinaugurada mesmo que ainda seja verão, é uma oportunidade sem igual. Sei que posso cometer erros, que posso me atrapalhar, que pode ser difícil, mas ainda assim escolhi não desistir de tornar este ano uma obra-prima.

Portanto, resolvi aceitar o presente e começar logo o trabalho. Se for preciso vou desembaraçar-me do rancor, desatar os nós do desânimo e tecer com dedicação, alegria e esperança os encontros e oportunidades que estiverem em minhas mãos. Enquanto, tecemos podemos descobrir que o amor não perde essa mania de florir, trazendo a cor e o encanto da Vida em nossas vidas. Não quero esconder meus recursos e rejeitar o presente, pois como disse Virginia Wolf: “não se pode ter paz evitando vida”.

27/03/2013

João 10,10

Navegando pela internet achei esse vídeo do Pr Ed René Kivitz numa crítica a estes líderes que se utilizam de maneira torcida da Palavra de Deus para roubar, matar e destruir. Vale a pena ver:


Vídeo mencionado pelo Pr. Ed: A "unção" dos R$ 900,00 Uma grande tristeza!

05/01/2013

MEU PAI, O PAI, O THIAGO E TODA GENTE

Achei interessante essa história particular que o Pr Fabricio Cunha contou no Facebook e os desdobramentos de sua reflexão... Recomendo a leitura!

Cheguei tarde em casa. Thiago estava comigo. Dormiu no carro. Subi com ele no colo e o coloquei para dormir em sua cama, depois de dar o beijo de boa noite.
Acordei pela madrugada com um barulhinho no banheiro do corredor.
Levantei. Era o Thiago, meu filho de 08 anos, que foi ao banheiro porque estava com dor de cabeça. 
Perguntei, "por que não me chamou, meu filho?!" 
Ele respondeu: "pai, acho que é por causa do calor. Eu estava molhando minha cabeça um pouco e acho que vai resolver. Se não resolvesse, eu te chamaria."
Ele se vira sozinho. Meus três são meio assim. Só chamam os pais se não conseguirem resolver as coisas. Fui para o quarto pensando no quão infantis são muitas pessoas que conheço, especialmente no seu relacionamento com Deus.  Parece bonito e "politicamente/espiritualmente correto" dizer que se depende de Deus para TUDO, mas isso se chama infantilidade espiritual, que é uma projeção de nossa infantilidade existencial.
Eu, como pai, crio meus filhos para o mundo, para serem adultos emancipados e independentes de mim, que conheçam o seu papel de ser gente nessa sociedade e que vivam em função de coisas maiores do que eles mesmos.
Talvez seja isso que o Pai espere de nós também. Talvez seja em função disso que ele, como Pai, trabalhe. Para que nós sejamos gente adulta, consciente de nossos deveres e responsabilidades, reconhecedores das grandezas da vida e maduros em nossas relações.
Hoje e sempre continuarei a ser pai do Thiago. Sempre que ele precisar o carregarei no colo. Ontem, hoje e sempre. Mas confesso que sou um pai feliz vendo meus filhos se tornarem gente madura e responsável a cada dia. 
Sei que conto com o colo do Seu Ditinho até hoje. 
E sei que também conto com o colo do Pai sempre que precisar, sempre que minhas pernas não derem conta.

28/12/2012

FICA A DICA


Achei bem legais as sugestões do Ed René Kivitz para o ano novo e compartilho com vocês...

Sugestões para o Ano Novo
#1
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.
#2
Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.
#3
Não pense que você vai conseguir dar uma guinada na vida apenas mudando o seu visual. É a alegria do coração que dá beleza ao rosto, e não a beleza do rosto que dá alegria ao coração.
#4
Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância fragiliza os vínculos.
#5
Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.
#6
Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.
#7
Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.
#8
Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.
#9
Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.
#10
Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.
#11
Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.
#12
Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.
#13
Não crie caso com a mulher ou com o marido. Nem com o pai nem com a mãe. Nem com o irmão nem com a irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.
#14
Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.
#15
Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.
#16
Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.
#17
Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.
#18
Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são inigualáveis.
#19
Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.
#20
Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.

01/11/2012

REFLEXÕES SOBRE A TEOLOGIA DA MISSÃO INTEGRAL

Esse texto é de Jorge Pinheiro em que procura fazer um resumo do que vem a ser a Teologia de Missão Integral. o Texto é um poco extenso, mas é interessante para quem deseja ter um ideia melhor sobre o que vem a ser essa Teologia nascida em berço latino-americano.


Por Jorge Pinheiro

Nesses estudos que começamos a desenvolver sobre a Teologia da Missão Integral queremos reafirmar alguns conteúdos e expor outros. Assim, começamos, à guisa de definição, afirmando que a TMI é comunicação e presença do evangelho. Com isso queremos dizer que essa teologia correlaciona comunicação e presença, sem colocar um sinal de igualdade entre essas realidades e sem declarar que necessitam sempre ser levadas a termo juntas. Na Teologia da Missão Integral, a comunicação tem conseqüências sociais porque convoca pessoas e comunidades ao arrependimento e ao amor pelos outros em todas as áreas da vida.

A Teologia da Missão Integral vê compromisso social como comunicação e presença, que tem conseqüências para a proclamação da boa nova que se dá através do testemunho da graça do Cristo. Quando há silêncio e cruzar dos braços diante dos sofrimentos do mundo, a Palavra é traída, já que nessas circunstâncias não há o que oferecer ao mundo.

A Teologia da Missão Integral tem como um de seus pilares a diaconia, que em seu sentido cristão significa serviço ao próximo. Diante da alegria pelo que Deus tem feito, ao abençoar as vidas, a Missão Integral propõe como resposta a promoção da diaconia. Nesse sentido, Missão Integral e diaconia são expressões que não podem vir separadas.

Nas primeiras comunidades cristãs, a diaconia teve característica singular de testemunho de fé por meio da vida solidária (At 2.44-45; 4.32-35), já que, como disse Paulo, "se um membro sofre todos sofrem com ele" (1Co 12.26). O fundamento dessa ação solidária repousa nos ensinos e prática de Jesus Cristo. Por isso, para a Missão Integral, o amor a Deus só é possível se este alcança o próximo (1Jo 4.20). Na prática, amar ao próximo consiste em propiciar dignidade humana e reintegração na sociedade (Mt. 9.35+). Por seu ministério e morte, Cristo assumiu a fraqueza humana e sofreu o poder de morte do mundo para, então, superá-los. Assim, a Teologia da Missão Integral desafia ao testemunho do amor de Deus, enquanto ação solidária.

A Teologia da Missão Integral é sentido e luta incondicional pela justiça, entendendo que a justificação pela graça, através da fé, não se refere apenas a fé posicional, mas existencial. É uma instrução de que falamos de Cristo na vida da comunidade de tal maneira que a justificação se transforma em vida aberta. E, assim, é fé material, política, e espiritual, já que transformação da pessoa e transformação estrutural estão correlacionadas. Ser, fazer e dizer, então, estão no coração da teologia da missão integral.


A Teologia da Missão Integral é uma teologia da transformação holística.

1. É uma teologia da centralidade em Cristo, pois a vida de serviço sacrificial de Jesus é o paradigma. Em sua vida e por meio da sua morte, Jesus estabeleceu o modelo de identificação com os excluídos e o exercício da inclusão. Na cruz, Deus revela a seriedade com que Ele olha para a justiça e reconcilia consigo integrados e excluídos, ao cumprir com os requerimentos de sua própria justiça. No caminhar com os excluídos de bens e possibilidades, serve-se no poder do Senhor por meio do Espírito e encontra-se a esperança em submeter todas as coisas a Cristo.

2. É uma teologia da graça de Deus, que concede impulso à comunicação permanente onde todo e qualquer locus é campo privilegiado. Como receptores do amor somos pessoas agraciadas pela generosidade e aceitação dos demais. Tal graça define a justiça frente à situação-limite vivida pelo povo brasileiro, não somente como contrato que deve ser honrado, mas como serviço àquele que se encontra à margem, caído.

3. É uma teologia do Espírito, um convívio com o Espírito, já que este é o sentido cristão da palavra espiritualidade. Dessa maneira, a idéia de uma vida forte, a idéia da vitalidade de uma vida criativa a partir de Deus nos leva à espiritualidade, ou seja, a uma vida espiritualizada por Deus.

Por isso, podemos dizer: as pessoas procuram a Deus porque o Espírito as atrai para si. Estas são as primeiras experiências do Espírito no ser humano. E o Espírito as atrai como um imã atrai as limalhas de ferro. O íntimo e suave atrativo de Deus é experimentado pela pessoa em sua fome de viver e em sua busca de felicidade, que nada no universo pode satisfazer ou saciar.

A espiritualidade da vida se opõe à mística da morte. Quanto mais sensíveis as pessoas se tornam para a felicidade da vida, mais sentem a dor pelos fracassos da vida. Vida no Espírito é vida contra a morte. Não é vida contra o corpo, mas a favor de sua libertação e sua glorificação. Dizer sim à vida significa dizer não à guerra e suas devastações. Dizer sim à vida significa dizer não à miséria e suas humilhações. Não existe uma afirmação verdadeira da vida sem luta contra tudo que nega a vida.

O Espírito é o acontecer da presença atuante de Deus, que penetra até o mais íntimo da existência humana. Ele atua como força de vida no ser humano e transforma aqueles que se encontram sob o senhorio de Cristo.

Cria espaço, põe em movimento, leva da estreiteza para a amplidão. Cria o horizonte e nas nossas vidas amplia o horizonte. Na experiência com o Espírito, Deus não é experimentado somente como Pessoa da Trindade, mas também como aquele espaço e tempo de liberdade onde o ser humano pode se desenvolver.

E onde está o Espírito há liberdade. Com essa experiência do Espírito, Paulo falou sobre a liberdade cristã. Mas para falar da liberdade no Espírito é necessário começar pela fé.

A fé é geralmente entendida como uma concordância formal com a doutrina da igreja ou como uma participação na fé da igreja. Mas a fé que liberta é mais do que isso, é uma fé que nos envolve pessoalmente. A fé que me faz livre não é somente a fé com a qual eu concordo, mas aquela que me leva a partir e repartir o pão e o vinho. Tal fé pessoal é sempre comunitária e o início de uma liberdade que renova inteiramente a vida e vence o caos.

Essa fé é uma experiência que não abandona aqueles que a vivenciam realmente: é libertação do medo para confiança, reviver para uma esperança viva, amor incondicional à vida.

Para a fé que parte e reparte pão e vinho, a liberdade não consiste nem na compreensão de uma necessidade histórica, nem na autonomia sobre si próprio e sobre a propriedade, mas sim no ser tocado pela necessidade do outro que sofre. Fé significa assim, posicionamento existencial, ser criativo diante dessas gentes brasileiras, com suas comunidades, com Deus e no seu Espírito. Crer leva a uma vida criativa e vivificante pelo amor. Crer, por isso, significa ultrapassar os limites da realidade determinada pelo passado marcado pela escravidão e pela exclusão e buscar as possibilidades da vida que não se realizaram. E é essa fé que livra da força do mal, da lei das obras e do poder da morte e leva a uma comunhão direta com o meu próximo e eterna com Deus. Essa é a base e o fundamento da liberdade no Espírito.

4. É teologia da imagem de Deus, e nesse sentido uma teologia para os excluídos, que como todos os humanos são portadores da imagem de Deus Criador. Pessoas e comunidades excluídas de bens e possibilidades têm conhecimentos, habilidades e recursos. Tratar tais pessoas com dignidade significa propiciar condições para que sejam arquitetos de mudança em suas comunidades. Trabalhar com elas envolve a construção de relações que conduzem a uma mudança mútua.

5. É uma teologia para a Igreja, porque Deus por sua graça tem dado as comunidades de fé o desafio da comunicação. O futuro da comunicação se define em termos de expansão do reino de Deus, capacitando as gentes para que transformem suas comunidades. As comunidades de fé devem gerar espaços e tempos de inclusividade, como fruto natural do chamado que receberam. As pessoas e mesmo as comunidades são atraídas por este fazer de amor das comunidades cristã. E é a partir daí que são impactadas pela mensagem cristã.

6. É uma teologia para o Reino de Deus, comunitária, porque a experiência de caminhar com as comunidades excluídas deixa uma interrogação sobre o que significa ser comunidade de fé. A igreja pode ser mera instituição ou organização, mas é nas comunidades de fé em Jesus que se concretizam os valores do Reino. A participação dos excluídos na vida das comunidades de fé possibilita o encontro de novas maneiras de ser igreja no contexto da cultura brasileira, ao invés de ser simples reflexo dos valores da subcultura dominante. A comunicação tem credibilidade na medida em que adota uma aproximação encarnada. Com freqüência as comunidades de fé têm-se dedicado à obtenção de dinheiro, êxito e influência. A comunidade que Jesus Cristo denominou seu pequeno rebanho faz parte do Reino de Deus. As tradições eclesiásticas não podem dificultar o que a Igreja já fez pela expansão do Reino. A igreja pode enfrentar o problema da miséria quando trabalha com os miseráveis e, a partir daí, pressiona atores sociais com a sociedade civil, os governos e o setor privado, sobre a base do respeito mútuo e o reconhecimento do papel de cada participante.

7. É uma teologia social, de apoio às transformações sociais que favoreçam os excluídos e caminhem na direção de acabar com a miséria no Brasil. Vejam de onde vierem essas ações transformadoras. Tais atividades se ampliam para incluir avanços em direção à transformação de valores, o reconhecimento da dignidade das comunidades e a cooperação em questões de justiça. Com sua presença ao lado dos excluídos, as comunidades de fé colocam-se numa posição singular que favorece o trabalho para restaurar a dignidade concedida por Deus, apresentando valores para que produzam recursos próprios e criem redes de solidariedade.

8. É uma teologia da cidadania, de consciência de direitos e deveres de cada pessoa como integrante de uma coletividade, entendendo-se essa coletividade em todas as instâncias do Reino de Deus e de sua presença no mundo. Isso pressupõe a igualdade, que transpõe barreiras de nível sócio-econômico, de etnia, de faixa etária, de sexo, de cultura, de situação civil, de deficiência física, de instituição e, também, pressupõe a unidade na pluralidade, pois trata da existência humana sobre a face da terra, e seu direito à vida, à liberdade, à propriedade, ao trabalho, à educação, à saúde, ao entretenimento e à cultura. É uma teologia por si só inclusiva, pois se contrapõe à opressão, à omissão, à rejeição e à massificação. É também uma teologia espacial, pois considera o mundo como oikos, precisando ser preservado, cuidado, adaptado, sinalizado, para usufruto e bem estar do ser humano; o que integra as demais criaturas de Deus, como parte de seus direitos e deveres, de coroa da Criação.

9. É uma teologia ecológica, que envolve o uso responsável e sustentável dos recursos da criação de Deus e a transformação das dimensões morais, intelectuais, econômicas, culturais e políticas da vida. Isto inclui a recuperação de um sentido bíblico de mordomia. O conceito bíblico do sábado recorda que se deve por limites ao consumo. Os cristãos integrados no Brasil devem usar sua riqueza e seu poder a serviço dos demais. É um compromisso de trabalhar para libertar os ricos de sua escravidão ao dinheiro e ao poder. A esperança de tesouros no céu livra da tirania de Mamon.

10. É uma teologia do amor, da paz e da reconciliação, porque num mundo de conflitos e tensões étnicas tem-se falhado na tarefa de construir pontes. A Teologia de Missão Integral trabalha pela reconciliação entre comunidades divididas etnicamente, entre integrados e excluídos, entre opressores e oprimidos. Reconhece o mandato de falar por quem não pode clamar por si mesmo e, também, a necessidade de defensoria tanto para tratar da injustiça estrutural, como para resgatar o próximo necessitado. Essa teologia clama por outra globalidade, solidária, pois a globalização excludente é o domínio de culturas que têm o poder de promover seus produtos, tecnologias e imagens além de suas fronteiras. A luz deste fato, as comunidades de fé com sua rica diversidade desempenham um papel singular por ser uma comunidade verdadeiramente global.

E, por fim, nessas reflexões da Teologia da Missão Integral para nosso continente, diremos que é uma teologia da solidariedade latino-americana, que faz a crítica da globalização selvagem e chama pessoas e comunidades cristãs à uma solidariedade com a América Latina, construída ao redor de propostas e ações de justiça e paz. A Teologia da Missão Integral considera que os países desenvolvidos devem reconhecer seu papel no desenvolvimento de uma economia global solidária, onde estão incluídas novas formas de pensar e agir em relação ao continente latino-americano.

A Teologia da Missão Integral reconhece o valor do planejamento, da organização, da avaliação e de outras ferramentas similares, mas afirma que estas devem estar a serviço do processo de construção de relações e valorização dos excluídos latino-americanos, sejam eles pessoas ou comunidades.

Dessa maneira, a Teologia da Missão Integral faz um chamado à solidariedade latino-americana, entendendo que pessoas e comunidades cristãs devem ajudar aqueles que clamam pelos Direitos Humanos essenciais e apoiar aqueles que se dedicam a melhorar as condições de vida e possibilidades das populações na América Latina.

Conheça outros artigos do site de Jorge Pinheiro.

11/10/2012

EU NÃO SOU UM CRISTÃO, MAS IREI À IGREJA NESTE DOMINGO

EMPATIA, essa é a palavra chave deste texto. É um exercício interesse colocar-se no lugar do próximo, deste que virá (ou não) para nossa Igreja no próximo Domingo. Confira!


Ok, eu não sou um cristão, mas finalmente tomei a decisão de vir à sua igreja neste domingo. Mas não espere muito de mim. Se algo mais importante aparecer, talvez eu não vá; neste exato momento estou planejando ir. Eu sinto que preciso ir, mas não estou certo do motivo. Eu quero lhe contar umas coisas sobre mim antes de nos conhecermos.

1. Eu não entenderei jargão religioso então esteja atento a isso quando nos falarmos. Eu não entendo quando você fala “morto no espírito,” “Deus está movendo em mim,” “coberto de sangue,” “eu preciso morrer para mim mesmo,” “você precisa seguir a Palavra,” “o que você precisa é uma nova vida,” etc. Se tivermos uma conversa cheia de termos de religiosos, eu provavelmente não compreenderei metade das palavras… e talvez pense que você é um pouco louco.

2. Quando você me perguntar se estou bem, saiba que não confio em você. É provável que conte uma mentira e direi que estou bem. Não que eu não queira contar-lhe; é apenas que eu tenho muitas dores guardadas e não estou certo que já confio em você. Que tal você me contar primeiro a sua história? Se eu gostar de você e perceber que você não está tentando ganhar a minha alma ou nada assim, eu lhe contarei a minha.

3. Eu consigo ser bem grosso, amargurado e irritado com algumas coisas. Se eu perceber em você um ar de superioridade, estou fora. Se você estiver apenas esperando a sua vez de falar ao invés de realmente me escutar, eu não vou me interessar. Não espere que eu goste de você.

4. Não faça questão de me apresentar para todo mundo que você conhece. Eu entendo que umas duas pessoas, tudo bem. Mas por favor, não faça uma fila de boas vindas! Eu só vou para ver como é e preciso do meu espaço.

5. Estarei buscando interesse genuíno em mim. Eu não quero sentir que sou seu projeto pessoal de salvação ou ser a sua medalha “Eu salvei um.” Se esse Jesus é quem você diz que é, então estou esperando ansiosamente por vê-Lo em você. É assim que funciona, não?

6. Eu terei perguntas. Eu preciso da verdade, não das suas preferências ou da sua religião; então você poderia me dizer apenas o que a Bíblia diz?

7. Eu preciso sentir-me bem vindo. Existe um tempo limite ou algo assim depois da primeira visita para que eu não me sinta mais bem vindo? Quero dizer, já estive em algumas outras igrejas e parecia haver uma pressão para eu tomar uma decisão ou algo do tipo. Quanto tempo até que eu não seja mais bem vindo?

Obrigado por me ouvir. Tenho certeza que irei neste domingo. Mas talvez não vá.

28/09/2012

O MUNDO "FAZ DE CONTA" DA MÚSICA GOSPEL NO BRASIL

Esse texto, publicado na página da Banda Resgate no facebook, é de um músico que, com um tom de humor bem ácido, critica a premiação de um Festival de Música Gospel promovido por uma emissora de televisão e o "mundo de faz de conta" que se tornou o mundo da música gospel no Brasil.


Quero ganhar o Troféu Promessas

Atenção seguidores do twitter, irmãos da Igreja e amigos do Facebook, vamos combinar uma coisa:
Eu faço de conta que não pedi nada a vocês, e vocês fazem de conta que não ouviram nada.

Vocês fazem de conta que foi iniciativa espontânea e acessam o site do Troféu Promessas.
Aí vocês votam tipo 50 ou 100 vezes cada um pra fazer de conta que foram muitas pessoas diferentes que votaram em mim.
O Comitê Organizador fica satisfeito porque fez de conta que seu Troféu mobilizou votos de milhões de pessoas, e todo mundo fica feliz!
Eu faço de conta que estou ansioso pelo resultado, mesmo sabendo que outros artistas fazem o mesmo.

Não se esqueçam, todos nós estamos fazendo de conta que nada disso está acontecendo.

Vocês podem, tipo assim, fazer de conta que estão preocupados com minha ansiedade, e até podem mobilizar uma campanha de oração por mim, e Deus...bom...não posso afirmar que Deus faz de conta que ouve...mas tudo bem vai...

Aí então eu recebo o Troféu de "faz de conta", e tento fazer de conta que minha mediocridade nunca existiu.
Aliás posso concorrer com uma música americana, tipo versão em português, e receber o troféu no Brasil fazendo de conta que o compositor americano é tonto...bom...vá lá...americano é tudo tonto mesmo...

Vocês fazem de conta que ficaram espantados com a minha vitória, e fazem de conta que sou uma bênção.
Daí eu dou testemunho dizendo que Deus me honrou, fazendo de conta que eu nunca soube que tudo foi combinado, tipo Lula, e até deixo cair umas lágrimas de "faz de conta"
A Mídia Gospel faz de conta que sou um sucesso, e publica o fato, e eu faço de conta que acredito que sou incrível.
Quem sabe até um programa de auditório me convide pra mostrar o Troféu fazendo de conta que a gravadora não pagou jabá pra eu estar lá...já pensou!
Aí eu digo que até os ímpios estão reconhecendo o valor da música evangélica, e eu faço de conta que foi a minha "unção" a responsável por tal feito.

Coitado só do povo né...que consumirá o meu CD, sem saber do "faz de conta", mas tudo bem...eles são café com leite.
Meu Deus! Vai ser demais!!!!

Nós todos fazemos de conta que nosso mundico gospel é poderoso e que nosso mercado é sério.
Podemos ainda fazer de conta que isso não é idiotice.
Podemos fazer de conta que somos felizes e que isso é um avanço...
Depois fazemos de conta que foi bênção vinda dos céus, e louvamos a Deus em agradecimento, cantando minha música é claro...aquela americana que eu fiz uma versão em português pra concorrer como melhor canção gospel no Brasil, lembra?

Deus, que por sua vez não teve nenhuma participação nisso, não consegue fazer de conta que não viu nossa infantilidade...paciência...
Mas nós que vivemos no mundo de "faz de conta", fazemos de conta que tá tudo certo, afinal de contas esse reino que inventamos é o país das Maravilhas, e nós??...nós somos Alice, é lógico...quer dizer, fazemos de conta que somos, é claro.

Na premiação todos estarão lá; o Coelho branco de colete a Lagarta azul, a Duquesa, a Rainha de copas e o Gato de Cheshire.
O Chapeleiro maluco nos avisará quando for a hora do chá, e a Lebre de março e o Arganaz vão ajudá-lo no cerimonial.
Todos sabem que a Tartaruga é falsa, mas dançam assim mesmo na quadrilha da Lagosta.

Ai meu Deus...será que conseguiremos algum dia correr o risco da simplicidade?

"...difícil é viver a vida assim sem aventura, deixar ser pelo coração...se é loucura, então melhor não ter razão..."

Amigos cantores e artistas, não se ofendam com o humor ácido das palavras de um pobre maluco como eu que faz de conta que é pensador.
Se fiz mal, é fácil resolver o problema...afinal, depois de tanto "faz de conta", basta fazer de conta que eu nunca escrevi nada, e tá tudo certo.

Zé Bruno 

Leia também ASNEIRAS "GOSPEL".

24/08/2012

14/08/2012

O JÁ E O AINDA NÃO

Este link é de um texto de John Stott, lembro-me que retirei de algum site, mas não me recordo de onde, infelizmente. É um texto muito interessante em que ele expõe suas idéias a respeito do Reino de Deus que, para ele, é já e ainda não. Cheguei a muito resumidamente mensionar esse conceito em "SAL-VA-ÇÃO SALVAÇÃO, VAMOS PENSAR". Entenda porque em detalhes a proposta de Stott... 


11/07/2012

DE OUTRO BLOG: Entrevista – Alessandro Rocha

Achei muito interessante a entrevista com um dos meus professores do seminário, o Doutor Alessandro Rocha, no Blog "Literatura Teológica". Compartilho com vocês...
A transcrição da entrevista tornou o post um pouco longo, mas é bem interessante para conhecer um pouco mais do pensamento desse "teólogo tupiniquim" como Alessandro Rocha é apresentado na entrevista.