01/11/2012

REFLEXÕES SOBRE A TEOLOGIA DA MISSÃO INTEGRAL

Esse texto é de Jorge Pinheiro em que procura fazer um resumo do que vem a ser a Teologia de Missão Integral. o Texto é um poco extenso, mas é interessante para quem deseja ter um ideia melhor sobre o que vem a ser essa Teologia nascida em berço latino-americano.


Por Jorge Pinheiro

Nesses estudos que começamos a desenvolver sobre a Teologia da Missão Integral queremos reafirmar alguns conteúdos e expor outros. Assim, começamos, à guisa de definição, afirmando que a TMI é comunicação e presença do evangelho. Com isso queremos dizer que essa teologia correlaciona comunicação e presença, sem colocar um sinal de igualdade entre essas realidades e sem declarar que necessitam sempre ser levadas a termo juntas. Na Teologia da Missão Integral, a comunicação tem conseqüências sociais porque convoca pessoas e comunidades ao arrependimento e ao amor pelos outros em todas as áreas da vida.

A Teologia da Missão Integral vê compromisso social como comunicação e presença, que tem conseqüências para a proclamação da boa nova que se dá através do testemunho da graça do Cristo. Quando há silêncio e cruzar dos braços diante dos sofrimentos do mundo, a Palavra é traída, já que nessas circunstâncias não há o que oferecer ao mundo.

A Teologia da Missão Integral tem como um de seus pilares a diaconia, que em seu sentido cristão significa serviço ao próximo. Diante da alegria pelo que Deus tem feito, ao abençoar as vidas, a Missão Integral propõe como resposta a promoção da diaconia. Nesse sentido, Missão Integral e diaconia são expressões que não podem vir separadas.

Nas primeiras comunidades cristãs, a diaconia teve característica singular de testemunho de fé por meio da vida solidária (At 2.44-45; 4.32-35), já que, como disse Paulo, "se um membro sofre todos sofrem com ele" (1Co 12.26). O fundamento dessa ação solidária repousa nos ensinos e prática de Jesus Cristo. Por isso, para a Missão Integral, o amor a Deus só é possível se este alcança o próximo (1Jo 4.20). Na prática, amar ao próximo consiste em propiciar dignidade humana e reintegração na sociedade (Mt. 9.35+). Por seu ministério e morte, Cristo assumiu a fraqueza humana e sofreu o poder de morte do mundo para, então, superá-los. Assim, a Teologia da Missão Integral desafia ao testemunho do amor de Deus, enquanto ação solidária.

A Teologia da Missão Integral é sentido e luta incondicional pela justiça, entendendo que a justificação pela graça, através da fé, não se refere apenas a fé posicional, mas existencial. É uma instrução de que falamos de Cristo na vida da comunidade de tal maneira que a justificação se transforma em vida aberta. E, assim, é fé material, política, e espiritual, já que transformação da pessoa e transformação estrutural estão correlacionadas. Ser, fazer e dizer, então, estão no coração da teologia da missão integral.


A Teologia da Missão Integral é uma teologia da transformação holística.

1. É uma teologia da centralidade em Cristo, pois a vida de serviço sacrificial de Jesus é o paradigma. Em sua vida e por meio da sua morte, Jesus estabeleceu o modelo de identificação com os excluídos e o exercício da inclusão. Na cruz, Deus revela a seriedade com que Ele olha para a justiça e reconcilia consigo integrados e excluídos, ao cumprir com os requerimentos de sua própria justiça. No caminhar com os excluídos de bens e possibilidades, serve-se no poder do Senhor por meio do Espírito e encontra-se a esperança em submeter todas as coisas a Cristo.

2. É uma teologia da graça de Deus, que concede impulso à comunicação permanente onde todo e qualquer locus é campo privilegiado. Como receptores do amor somos pessoas agraciadas pela generosidade e aceitação dos demais. Tal graça define a justiça frente à situação-limite vivida pelo povo brasileiro, não somente como contrato que deve ser honrado, mas como serviço àquele que se encontra à margem, caído.

3. É uma teologia do Espírito, um convívio com o Espírito, já que este é o sentido cristão da palavra espiritualidade. Dessa maneira, a idéia de uma vida forte, a idéia da vitalidade de uma vida criativa a partir de Deus nos leva à espiritualidade, ou seja, a uma vida espiritualizada por Deus.

Por isso, podemos dizer: as pessoas procuram a Deus porque o Espírito as atrai para si. Estas são as primeiras experiências do Espírito no ser humano. E o Espírito as atrai como um imã atrai as limalhas de ferro. O íntimo e suave atrativo de Deus é experimentado pela pessoa em sua fome de viver e em sua busca de felicidade, que nada no universo pode satisfazer ou saciar.

A espiritualidade da vida se opõe à mística da morte. Quanto mais sensíveis as pessoas se tornam para a felicidade da vida, mais sentem a dor pelos fracassos da vida. Vida no Espírito é vida contra a morte. Não é vida contra o corpo, mas a favor de sua libertação e sua glorificação. Dizer sim à vida significa dizer não à guerra e suas devastações. Dizer sim à vida significa dizer não à miséria e suas humilhações. Não existe uma afirmação verdadeira da vida sem luta contra tudo que nega a vida.

O Espírito é o acontecer da presença atuante de Deus, que penetra até o mais íntimo da existência humana. Ele atua como força de vida no ser humano e transforma aqueles que se encontram sob o senhorio de Cristo.

Cria espaço, põe em movimento, leva da estreiteza para a amplidão. Cria o horizonte e nas nossas vidas amplia o horizonte. Na experiência com o Espírito, Deus não é experimentado somente como Pessoa da Trindade, mas também como aquele espaço e tempo de liberdade onde o ser humano pode se desenvolver.

E onde está o Espírito há liberdade. Com essa experiência do Espírito, Paulo falou sobre a liberdade cristã. Mas para falar da liberdade no Espírito é necessário começar pela fé.

A fé é geralmente entendida como uma concordância formal com a doutrina da igreja ou como uma participação na fé da igreja. Mas a fé que liberta é mais do que isso, é uma fé que nos envolve pessoalmente. A fé que me faz livre não é somente a fé com a qual eu concordo, mas aquela que me leva a partir e repartir o pão e o vinho. Tal fé pessoal é sempre comunitária e o início de uma liberdade que renova inteiramente a vida e vence o caos.

Essa fé é uma experiência que não abandona aqueles que a vivenciam realmente: é libertação do medo para confiança, reviver para uma esperança viva, amor incondicional à vida.

Para a fé que parte e reparte pão e vinho, a liberdade não consiste nem na compreensão de uma necessidade histórica, nem na autonomia sobre si próprio e sobre a propriedade, mas sim no ser tocado pela necessidade do outro que sofre. Fé significa assim, posicionamento existencial, ser criativo diante dessas gentes brasileiras, com suas comunidades, com Deus e no seu Espírito. Crer leva a uma vida criativa e vivificante pelo amor. Crer, por isso, significa ultrapassar os limites da realidade determinada pelo passado marcado pela escravidão e pela exclusão e buscar as possibilidades da vida que não se realizaram. E é essa fé que livra da força do mal, da lei das obras e do poder da morte e leva a uma comunhão direta com o meu próximo e eterna com Deus. Essa é a base e o fundamento da liberdade no Espírito.

4. É teologia da imagem de Deus, e nesse sentido uma teologia para os excluídos, que como todos os humanos são portadores da imagem de Deus Criador. Pessoas e comunidades excluídas de bens e possibilidades têm conhecimentos, habilidades e recursos. Tratar tais pessoas com dignidade significa propiciar condições para que sejam arquitetos de mudança em suas comunidades. Trabalhar com elas envolve a construção de relações que conduzem a uma mudança mútua.

5. É uma teologia para a Igreja, porque Deus por sua graça tem dado as comunidades de fé o desafio da comunicação. O futuro da comunicação se define em termos de expansão do reino de Deus, capacitando as gentes para que transformem suas comunidades. As comunidades de fé devem gerar espaços e tempos de inclusividade, como fruto natural do chamado que receberam. As pessoas e mesmo as comunidades são atraídas por este fazer de amor das comunidades cristã. E é a partir daí que são impactadas pela mensagem cristã.

6. É uma teologia para o Reino de Deus, comunitária, porque a experiência de caminhar com as comunidades excluídas deixa uma interrogação sobre o que significa ser comunidade de fé. A igreja pode ser mera instituição ou organização, mas é nas comunidades de fé em Jesus que se concretizam os valores do Reino. A participação dos excluídos na vida das comunidades de fé possibilita o encontro de novas maneiras de ser igreja no contexto da cultura brasileira, ao invés de ser simples reflexo dos valores da subcultura dominante. A comunicação tem credibilidade na medida em que adota uma aproximação encarnada. Com freqüência as comunidades de fé têm-se dedicado à obtenção de dinheiro, êxito e influência. A comunidade que Jesus Cristo denominou seu pequeno rebanho faz parte do Reino de Deus. As tradições eclesiásticas não podem dificultar o que a Igreja já fez pela expansão do Reino. A igreja pode enfrentar o problema da miséria quando trabalha com os miseráveis e, a partir daí, pressiona atores sociais com a sociedade civil, os governos e o setor privado, sobre a base do respeito mútuo e o reconhecimento do papel de cada participante.

7. É uma teologia social, de apoio às transformações sociais que favoreçam os excluídos e caminhem na direção de acabar com a miséria no Brasil. Vejam de onde vierem essas ações transformadoras. Tais atividades se ampliam para incluir avanços em direção à transformação de valores, o reconhecimento da dignidade das comunidades e a cooperação em questões de justiça. Com sua presença ao lado dos excluídos, as comunidades de fé colocam-se numa posição singular que favorece o trabalho para restaurar a dignidade concedida por Deus, apresentando valores para que produzam recursos próprios e criem redes de solidariedade.

8. É uma teologia da cidadania, de consciência de direitos e deveres de cada pessoa como integrante de uma coletividade, entendendo-se essa coletividade em todas as instâncias do Reino de Deus e de sua presença no mundo. Isso pressupõe a igualdade, que transpõe barreiras de nível sócio-econômico, de etnia, de faixa etária, de sexo, de cultura, de situação civil, de deficiência física, de instituição e, também, pressupõe a unidade na pluralidade, pois trata da existência humana sobre a face da terra, e seu direito à vida, à liberdade, à propriedade, ao trabalho, à educação, à saúde, ao entretenimento e à cultura. É uma teologia por si só inclusiva, pois se contrapõe à opressão, à omissão, à rejeição e à massificação. É também uma teologia espacial, pois considera o mundo como oikos, precisando ser preservado, cuidado, adaptado, sinalizado, para usufruto e bem estar do ser humano; o que integra as demais criaturas de Deus, como parte de seus direitos e deveres, de coroa da Criação.

9. É uma teologia ecológica, que envolve o uso responsável e sustentável dos recursos da criação de Deus e a transformação das dimensões morais, intelectuais, econômicas, culturais e políticas da vida. Isto inclui a recuperação de um sentido bíblico de mordomia. O conceito bíblico do sábado recorda que se deve por limites ao consumo. Os cristãos integrados no Brasil devem usar sua riqueza e seu poder a serviço dos demais. É um compromisso de trabalhar para libertar os ricos de sua escravidão ao dinheiro e ao poder. A esperança de tesouros no céu livra da tirania de Mamon.

10. É uma teologia do amor, da paz e da reconciliação, porque num mundo de conflitos e tensões étnicas tem-se falhado na tarefa de construir pontes. A Teologia de Missão Integral trabalha pela reconciliação entre comunidades divididas etnicamente, entre integrados e excluídos, entre opressores e oprimidos. Reconhece o mandato de falar por quem não pode clamar por si mesmo e, também, a necessidade de defensoria tanto para tratar da injustiça estrutural, como para resgatar o próximo necessitado. Essa teologia clama por outra globalidade, solidária, pois a globalização excludente é o domínio de culturas que têm o poder de promover seus produtos, tecnologias e imagens além de suas fronteiras. A luz deste fato, as comunidades de fé com sua rica diversidade desempenham um papel singular por ser uma comunidade verdadeiramente global.

E, por fim, nessas reflexões da Teologia da Missão Integral para nosso continente, diremos que é uma teologia da solidariedade latino-americana, que faz a crítica da globalização selvagem e chama pessoas e comunidades cristãs à uma solidariedade com a América Latina, construída ao redor de propostas e ações de justiça e paz. A Teologia da Missão Integral considera que os países desenvolvidos devem reconhecer seu papel no desenvolvimento de uma economia global solidária, onde estão incluídas novas formas de pensar e agir em relação ao continente latino-americano.

A Teologia da Missão Integral reconhece o valor do planejamento, da organização, da avaliação e de outras ferramentas similares, mas afirma que estas devem estar a serviço do processo de construção de relações e valorização dos excluídos latino-americanos, sejam eles pessoas ou comunidades.

Dessa maneira, a Teologia da Missão Integral faz um chamado à solidariedade latino-americana, entendendo que pessoas e comunidades cristãs devem ajudar aqueles que clamam pelos Direitos Humanos essenciais e apoiar aqueles que se dedicam a melhorar as condições de vida e possibilidades das populações na América Latina.

Conheça outros artigos do site de Jorge Pinheiro.

31/10/2012

AOS QUE FALAM ANTES DE OUVIR NA TEOLOGIA


Primeiramente saibam do que estão falando! rsrsrs

Sinceramente não posso aceitar a demonização de "teólogos liberais". Atenção as aspas. Bom, em primeiro lugar é que esse termo vem sendo utilizado por inúmeras pessoas para abarcar um sem números de nomes de teólogos que apresentam temáticas, métodos, procedimentos, pressupostos totalmente diferentes uns dos outros para acessar, interpretar e aplicar o texto bíblico.

Já está gasto esse nome! Qualquer um que não concorde com a ortodoxia particular já vira “liberal” – O que é o teólogo liberal? Não existe “o liberal” como existe “o arminiano” ou “o calvinista” que divergem entre si em questões pontuais específicas da fé dogmática.

Querem colocar num mesmo saco Schleiermacher, Dietrich Bonhoeffer, Jürgen Moltmann, Karl Barth, entre outros... Já até sobrou para os teólogos latino-americanos René Padilha, Leonardo Boff e para o saudoso Milton Schwantes, que nos deixou ano passado, o rótulo de “liberal”. Ah! Fica a dica: não dá para colocá-los no mesmo saco não, isso só sublinha e reforça ignorância sobre o tema. Pecado isso... julgar sem conhecimento...

Ai vamos analisar quem são esses “defensores da ortodoxia e anti-liberal” a grandessíssima maioria são pessoas tacanhas ou, como um termo que pensei recentemente, “herdeiros gastões da teologia”. Sim, porque só gastam a teologia herdada replicando-a e se repetindo numa ecolalia infértil. Geralmente nunca leram uma linha um único trabalho completo de qualquer que seja um desses autores. E rotulam a todos por igual chamando-os de orgulhosos, vaidosos e piores adjetivos. Como papagaios (pela análise de outros, pela opinião de outros), são ávidos em condená-los ao fogo do inverno. Não conhecem as biografias desses homens em que muitos deles foram cristãos piedosos e dedicados ao seu rebanho.

Que há heresias em algumas dessas produções? Ora, sim, é claro que há aquilo que você pode chegar à conclusão de ser uma heresia! Assim como, na teologia tradicional, se você é um que entende que o batismo deve ser realizado somente quando a pessoa chega ao entendimento do que faz não vai aceitar o batismo infantil católico ou das igrejas de teologia reformada (Calvinistas, Anglicanos, Presbiterianos entre outros). ISSO É SÓ UM EXEMPLO, NÃO VOU DISCUTIR BATISMO AQUI NÃO, OK? Bom, mesmo que seja esse seu entendimento, com certeza você não abrirá mão dos diversos e preciosos conteúdos produzidos por esses irmãos. SIM, IRMÃOS! Deixe de ser exclusivista e sectarista!

A busca pelo vinho novo, fez com que há 495 anos um monge alemão tenha confeccionado umas tais 95 teses. Acaso não poderia Lutero ser considerado um “liberal” por Roma? Como observou Thomas Huxley "Toda verdade inédita começa como heresia e acaba como ortodoxia."

Questionem-se, informem-se! Com certeza, é mais fácil rotular dessa forma o "novo", e só beber o velho vinho em velhos odres. Mas devemos considerar que existe vinho novo em odres novos e, o mais importante é que na essência ambos são vinho. Portanto que não se coloque outra coisa diferente de vinho, busquem o vinho novo! Há teologia nova! Afinal, o contingente nunca deu, nem nunca dará conta de dizer tudo sobre aquilo que não se ponde conter e que é imensurável – o mistério de Deus!

Mas realmente, aviso, só pode questionar e rever suas bases quem tem alicerces firmes na experiência pessoal com Deus. Quem é simples “herdeiro gastão da teologia” não pode faze-lo dado que vive e alimenta-se da experiência de terceiros. Todos somos herdeiros na teologia. Herdeiros de Paulo, de Pedro, de Tiago, de todos os apóstolos de Cristo, bem como herdeiros de Clemente de Roma, o outro Clemente, Orígenes, Agostinho, Tomás de Aquino, John Huss, Lutero, Calvino, entre outros e mais recentes! Mas há quem é herdeiro aplicador, procura se ocupar em realizar contribuições relevantes lança-se a busca do vinho novo com humildade e dependência do Espírito Santo na dinâmica "transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Carta aos Romanos 12,2) Estes são aqueles que procuram estar “sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1ª Carta de Pedro 3,15). Tudo realizado com muita humildade e submissão ao Espírito.

Gosto de pensar, além dos textos bíblicos citados, em duas frases. Uma que aponta para a busca que é do Pastor Ed René Kivitz “Quem ama a verdade não tem medo de debater. O pior que pode lhe acontecer é descobrir que está longe da verdade.”. A Segunda frase é de um que foi meu professor, Alessandro Rocha, que disse “somos anões em ombros de gigantes” dizendo da herança teológica que herdamos e da sempre pequena contribuição (anã) que podemos realizar.

Aqui já saí a tempo da picuinha “liberal x fundamentalista”, se é que de fato cheguei a abordar isso. Mas ressalto a pequenez de quem não se permite ler antes de criticar. A estes exorto humildemente, pois “responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha.” (Provérbios 18,13) e aconselho que "examinai tudo. Retende o bem". (1ª Carta aos Tessalonicenses 5,21). Está criticando porque leu um artigo de “um cara que entende muito”!? Na boa, é você tão raso que não é capaz de produzir suas próprias impressões? Se leu "um cara que entende muito" muito bem, mas confira! Leia o autor criticado e seja você como os crentes de Beréia que receberam de Paulo e Silas "a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo" (Atos 17,11). Quer criticar algum pensamento fale pensamento de quem, de quê, por que, qual base (bíblica de preferência, sem texto fora do contexto como pretexto). Fundamente-se antes de taxar alguém como “falso ensinador”!

Atualizem sempre as suas teologias e a todos vocês peço coro ao lema da reforma:
“ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST”.

VIVA AOS 495 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE



ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST

do latim: "Igreja reformada em constante reforma" 




Até que um Lutero como este cairia muito bem no cenário Evangélico Brasileiro!


Enquanto Deus era visto apenas como um juiz, um distribuidor de castigos, um Deus que cobra pelo perdão, que negocia com o pecado e o sofrimento do ser humano, Lutero viveu na angústia, na escuridão, no medo, na escravidão, na opressão. Vivia o inferno!
Felizmente, Lutero descobriu na Palavra de Deus, na Bíblia, o Deus que oferece a graça. Ele redescobriu o Deus que não faz negócios com o seu amor e a sua misericórdia. Lutero redescobriu o Deus que ama as pessoas pecadoras, as pessoas fragilizadas, as desesperadas. Lutero dirá que só consegue entender Deus quem o compreende a partir do seu rosto voltado visivelmente para o mundo, no sofrimento e na cruz (Dreher, Martin N. et alllii. Somente Deus – quatro princípios para a vida. São Leopoldo: Ed. Sinodal, p.07).
O encontro de Lutero com o Deus misericordioso, que liberta, que é fonte de todo amor, da justiça, que se entrega em favor do ser humano, é que desencadeou a Reforma da Igreja. A busca de Lutero pelo Deus misericordioso culminou no encontro com Jesus Cristo, sua vida, paixão, morte e ressurreição. Foi por isso que Lutero disse crer significa fixar o olhar firme e continuamente em Cristo. Com este Deus, Lutero enfrentou a sociedade, a Igreja e o império! Com a fé nesse Deus, Lutero tornou-se protagonista da redescoberta da liberdade que, em Cristo, já fora dada à humanidade.

Leia também sobre a Reforma Protestante aqui e a Reforma do Concílio Vaticano II aqui.

30/10/2012

COLOQUE O SEU DEDO AQUI



        Nessa caminhada na Teologia não foram poucos os colegas que se sentem meio perdidos entre a fé e a razão. Não raro e ouvir: “estou em crise” ou “a gente não quer ficar abalado, mas fica”. Isso quando não descambam para uma total incredulidade ante às verdades das Escrituras Sagradas. Mas sinceramente não penso que o culpado pelos abalos sejam as novas informações, descobertas, os novos conteúdos da crítica textual a afins. O que os abala é a fragilidade da experiência com Deus.
        Creio que nestes momentos o caminho não é questionar o conhecimento novo. O caminho é visitar novamente nossas experiências que nos fundaram na fé cristã. Afinal, cremos em Deus por causa dos grandes milagres que Ele pode operar ou cremos nele pelo que Ele simplesmente é?
        Vamos imaginar o seguinte: se a Bíblia não relatasse qualquer ato sobrenatural realizado pelas mãos divinas, ainda creríamos nEle com a mesma disposição? Por que somos tão dependentes destas manifestações sobrenaturais para crer? Em muitos grupos cristãos tradicionais há certo orgulho de nossos “cultos racionais”, mas há tanta dificuldade de lidar com essas coisas. Vamos a Tomé!
        Notem que Tomé não queria viver baseado na experiência dos outros! Ele queria suas próprias experiências, seu "chão" teológico tinha que ser concreto, palpável. Ele não estava predisposto a crer no relato dos discípulos, queria provar ao vivo e a cores. Tomé, até podemos assim considera-lo, era racionalista!
        Mas não era positivista! Seu racionalismo o levou a uma experiência concreta, corpórea. Contudo, ao chegar neste degrau, ao invés de optar por um positivismo exacerbado, Tomé "volta atrás" e faz uma declaração tão teológica que nem parece ter saído da boca da mesma pessoa: "Senhor meu e Deus Meu!"
        O Racionalismo de Tomé o levou a um encontro sagrado com o Deus que em todo tempo andou do seu lado, mas Tomé não conseguia reconhecer! Seu racionalismo o levou a tocar este Deus e por tocar, por ter uma experiência física, fez uma declaração sobrenatural!
        Teologia é ciência. Ela tem métodos para investigação, tem regras, mas é uma ciência especial.  Gosto de pensar e assim creio que devemos procurar sermos capazes de estar "sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês" (1 Pedro 3:15) Contudo, a razão por vezes (e não poucas vezes) apresenta limitações nos assuntos tocantes a fé, mas ai, comungo ao convite de Calvino “quando nos cessa a razão, rendamo-nos ao mistério da fé”. Concordo com ele, afinal fé “é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” (Carta aos Hebreus 11,1)
        Se a gente conseguir traçar em nossos caminhos a lógica da teologia do Tomé, acredito que muitos conflitos entre fé e razão serão diminuídos.

11/10/2012

EU NÃO SOU UM CRISTÃO, MAS IREI À IGREJA NESTE DOMINGO

EMPATIA, essa é a palavra chave deste texto. É um exercício interesse colocar-se no lugar do próximo, deste que virá (ou não) para nossa Igreja no próximo Domingo. Confira!


Ok, eu não sou um cristão, mas finalmente tomei a decisão de vir à sua igreja neste domingo. Mas não espere muito de mim. Se algo mais importante aparecer, talvez eu não vá; neste exato momento estou planejando ir. Eu sinto que preciso ir, mas não estou certo do motivo. Eu quero lhe contar umas coisas sobre mim antes de nos conhecermos.

1. Eu não entenderei jargão religioso então esteja atento a isso quando nos falarmos. Eu não entendo quando você fala “morto no espírito,” “Deus está movendo em mim,” “coberto de sangue,” “eu preciso morrer para mim mesmo,” “você precisa seguir a Palavra,” “o que você precisa é uma nova vida,” etc. Se tivermos uma conversa cheia de termos de religiosos, eu provavelmente não compreenderei metade das palavras… e talvez pense que você é um pouco louco.

2. Quando você me perguntar se estou bem, saiba que não confio em você. É provável que conte uma mentira e direi que estou bem. Não que eu não queira contar-lhe; é apenas que eu tenho muitas dores guardadas e não estou certo que já confio em você. Que tal você me contar primeiro a sua história? Se eu gostar de você e perceber que você não está tentando ganhar a minha alma ou nada assim, eu lhe contarei a minha.

3. Eu consigo ser bem grosso, amargurado e irritado com algumas coisas. Se eu perceber em você um ar de superioridade, estou fora. Se você estiver apenas esperando a sua vez de falar ao invés de realmente me escutar, eu não vou me interessar. Não espere que eu goste de você.

4. Não faça questão de me apresentar para todo mundo que você conhece. Eu entendo que umas duas pessoas, tudo bem. Mas por favor, não faça uma fila de boas vindas! Eu só vou para ver como é e preciso do meu espaço.

5. Estarei buscando interesse genuíno em mim. Eu não quero sentir que sou seu projeto pessoal de salvação ou ser a sua medalha “Eu salvei um.” Se esse Jesus é quem você diz que é, então estou esperando ansiosamente por vê-Lo em você. É assim que funciona, não?

6. Eu terei perguntas. Eu preciso da verdade, não das suas preferências ou da sua religião; então você poderia me dizer apenas o que a Bíblia diz?

7. Eu preciso sentir-me bem vindo. Existe um tempo limite ou algo assim depois da primeira visita para que eu não me sinta mais bem vindo? Quero dizer, já estive em algumas outras igrejas e parecia haver uma pressão para eu tomar uma decisão ou algo do tipo. Quanto tempo até que eu não seja mais bem vindo?

Obrigado por me ouvir. Tenho certeza que irei neste domingo. Mas talvez não vá.

03/10/2012

PERDIDOS

Quem está perdido? Sob perspectivas diferentes todos desta charge estão igualmente perdidos e desorientados, infelizmente...

Oração do cego funcional da charge: "Oh, Senhor, nos dê poder para alcançar os perdidos... Oh!"

"EM NOME DA JUSTIÇA"

Enquanto a violência acabar com o povão da baixada
E quem sabe tudo disser que não sabe de nada
Enquanto os salários morrerem de velho nas filas
E os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las
Enquanto a doença tomar o lugar da saúde
E quem prometeu ser do povo mudar de atitude
Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa
E a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza.

Não tem jeito não.

Só com muito amor a gente muda esse país
Só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz
Nós os filhos Seus temos que unir as nossas mãos
Em nome da justiça, por obras de justiça
Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar
Tem que ser profeta e sua bandeira levantar
Transformar o mundo é uma questão de compromisso
É muito mais e tudo isso.

Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em Nome de Deus se deixar os feridos de lado
Enquanto o pecado ainda for tão somente um pecado
Vivido, sentido, embutido, espremido e pensado
Enquanto se canta e se dança de olhos fechados
Tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive,
não
Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive

Não tem jeito não, não tem jeito não.



28/09/2012

O MUNDO "FAZ DE CONTA" DA MÚSICA GOSPEL NO BRASIL

Esse texto, publicado na página da Banda Resgate no facebook, é de um músico que, com um tom de humor bem ácido, critica a premiação de um Festival de Música Gospel promovido por uma emissora de televisão e o "mundo de faz de conta" que se tornou o mundo da música gospel no Brasil.


Quero ganhar o Troféu Promessas

Atenção seguidores do twitter, irmãos da Igreja e amigos do Facebook, vamos combinar uma coisa:
Eu faço de conta que não pedi nada a vocês, e vocês fazem de conta que não ouviram nada.

Vocês fazem de conta que foi iniciativa espontânea e acessam o site do Troféu Promessas.
Aí vocês votam tipo 50 ou 100 vezes cada um pra fazer de conta que foram muitas pessoas diferentes que votaram em mim.
O Comitê Organizador fica satisfeito porque fez de conta que seu Troféu mobilizou votos de milhões de pessoas, e todo mundo fica feliz!
Eu faço de conta que estou ansioso pelo resultado, mesmo sabendo que outros artistas fazem o mesmo.

Não se esqueçam, todos nós estamos fazendo de conta que nada disso está acontecendo.

Vocês podem, tipo assim, fazer de conta que estão preocupados com minha ansiedade, e até podem mobilizar uma campanha de oração por mim, e Deus...bom...não posso afirmar que Deus faz de conta que ouve...mas tudo bem vai...

Aí então eu recebo o Troféu de "faz de conta", e tento fazer de conta que minha mediocridade nunca existiu.
Aliás posso concorrer com uma música americana, tipo versão em português, e receber o troféu no Brasil fazendo de conta que o compositor americano é tonto...bom...vá lá...americano é tudo tonto mesmo...

Vocês fazem de conta que ficaram espantados com a minha vitória, e fazem de conta que sou uma bênção.
Daí eu dou testemunho dizendo que Deus me honrou, fazendo de conta que eu nunca soube que tudo foi combinado, tipo Lula, e até deixo cair umas lágrimas de "faz de conta"
A Mídia Gospel faz de conta que sou um sucesso, e publica o fato, e eu faço de conta que acredito que sou incrível.
Quem sabe até um programa de auditório me convide pra mostrar o Troféu fazendo de conta que a gravadora não pagou jabá pra eu estar lá...já pensou!
Aí eu digo que até os ímpios estão reconhecendo o valor da música evangélica, e eu faço de conta que foi a minha "unção" a responsável por tal feito.

Coitado só do povo né...que consumirá o meu CD, sem saber do "faz de conta", mas tudo bem...eles são café com leite.
Meu Deus! Vai ser demais!!!!

Nós todos fazemos de conta que nosso mundico gospel é poderoso e que nosso mercado é sério.
Podemos ainda fazer de conta que isso não é idiotice.
Podemos fazer de conta que somos felizes e que isso é um avanço...
Depois fazemos de conta que foi bênção vinda dos céus, e louvamos a Deus em agradecimento, cantando minha música é claro...aquela americana que eu fiz uma versão em português pra concorrer como melhor canção gospel no Brasil, lembra?

Deus, que por sua vez não teve nenhuma participação nisso, não consegue fazer de conta que não viu nossa infantilidade...paciência...
Mas nós que vivemos no mundo de "faz de conta", fazemos de conta que tá tudo certo, afinal de contas esse reino que inventamos é o país das Maravilhas, e nós??...nós somos Alice, é lógico...quer dizer, fazemos de conta que somos, é claro.

Na premiação todos estarão lá; o Coelho branco de colete a Lagarta azul, a Duquesa, a Rainha de copas e o Gato de Cheshire.
O Chapeleiro maluco nos avisará quando for a hora do chá, e a Lebre de março e o Arganaz vão ajudá-lo no cerimonial.
Todos sabem que a Tartaruga é falsa, mas dançam assim mesmo na quadrilha da Lagosta.

Ai meu Deus...será que conseguiremos algum dia correr o risco da simplicidade?

"...difícil é viver a vida assim sem aventura, deixar ser pelo coração...se é loucura, então melhor não ter razão..."

Amigos cantores e artistas, não se ofendam com o humor ácido das palavras de um pobre maluco como eu que faz de conta que é pensador.
Se fiz mal, é fácil resolver o problema...afinal, depois de tanto "faz de conta", basta fazer de conta que eu nunca escrevi nada, e tá tudo certo.

Zé Bruno 

Leia também ASNEIRAS "GOSPEL".

27/09/2012

TWITTER





Twitter, por vezes, me parece uma ecolalia de uma sociedade catatônica esquizofrênica. 


25/09/2012

CONFUSÃO “DOS INFERNOS”


            Vamos voltar com o tema “dos infernos” que se originou no post “O "LADRÃO", O "BISPO", O "MISSIONÁRIO" E O "APÓSTOLO"” que se desmembrou em “ORGULHO DOS "INFERNOS"” e “IMPRUDÊNCIA DOS "INFERNOS"” (este, inclusive, sendo o 2º post mais lido deste Blog!).

            Como o texto abaixo em questão tem também uma equivocada interpretação devido a uma pequena confusão de tradução fica nomeado o post de CONFUSÃO “DOS INFERNOS”. Vamos ao texto, vou usar a versão da tradução de João Ferreira de Almeida (Revisada da IBB, Imprensa Bíblica Brasileira), posto que esta seja a que mais é conhecida:


            Este texto é muito semelhante ao texto do post ORGULHO “DOS INFERNOS” que trata do Rei de Tiro e do resultado que deu o seu orgulho (Livro do Profeta Ezequiel 28:1-19). Mas nesse texto o Rei em questão é o Rei da Babilônia – outro Rei orgulhoso e cheio de si.
            Esse texto é dito que Deus “se compadecerá de Jacó” (vr 1, ou seja, de Israel que estava cativo em terras babilônicas) e dará ao povo “descanso do seu trabalho... e da dura servidão com que te fizeram servir” (vr 3). Quem mata a charada é o versículo 4, nele se diz claramente de quem está se falando “contra o Rei daBabilônia” que irá ter “derrubada até o Seol a tua pompa” (vr 11). Vale lembrar que “Seol” ou “Xeol” é o lugar para onde irá todos os mortos, na concepção judaica antiga, tendo sido maus ou bons. Ou seja o Rei da Babilônia morrerá, no versículo 15 isso é repetido “levado serás ao Seol”. E, seguindo o texto todo essa queda do império e morte do Rei seria vergonhosa “tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominável”. 
            Mas o que efetivamente fez com que muitos pensassem se tratar do Diabo nesse texto?  A questão é que algumas várias traduções seguiram a Vulgata (tradução da ICAR para o latim) que traduz "estrela da manhã" como Lúcifer. E já se tornou comum na cristandade entender que Lúcifer é o Diabo. Está ai a nossa CONFUSÃO “DOS INFERNOS”. Rsrs
            Por fim, meus irmãos e amigos, não quero com estes posts dizer que "Diabo não existe" ou coisa parecida, mas chamo a atenção para o tanto de lições importantes para nosso dia-a-dia que temos pela interpretação correta desses textos. As vezes colocamos ações, palavras e atitudes na "conta do Diabo" quando, na verdade, são erros nossos nascidos do nosso egoísmo que nos fazem verdadeiros "demônios humanos". Bom, vale o aviso, o reforço a respeito do orgulho, afinal “Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes.” (Tiago 4:6) Vou até finalizar este post com uma das figuras que coloquei no ORGULHO "DOS INFERNOS"...
"Estes são meu cachorro, meu gato e meu ego"
P.S.: Já tirando uma dúvida: Quanto a "linguagem celeste" presente no texto quando se refere ao Rei da Babilônia vejam porque isso acontece no texto bíblico dessa forma no post ORGULHO "DOS INFERNOS", ok? ;)

21/09/2012

ORTOPRAXIA

Dizer que a igreja tem responsabilidade social é um equívoco, responsabilidade social é o que as empresas fazem para ganhar notoriedade e “ficar bem” perante a sociedade. A Igreja tem uma missão social, ou seja, isso faz parte (ou deveria fazer parte) da sua natureza. Ah, isso não é para transformar o discurso adequando às palavras certas, mas é para transformar a realidade adequando o pensar e o agir correto.