21/11/2012

SINAIS DO REINO (3/4) - A IGREJA


Essa é a parte 3 de 4  do estudo "Sinais do Reino" levado por mim à Primeira Igreja Batista em Vila da Penha (Novembro/2012)

Saiu há pouco tempo a notícia de um fenômeno que tem acontecido que é o crescente número de sem-igreja; >>> Não são pessoas que abandonam Deus, mas a igreja; No bimestre de Julho-Agosto deste ano saiu nas revistas "Ultimato" e "A Colheita" matérias a respeito da Europa que vem enfrentando um processo de descristianização. Segundo um dos entrevistados, na Europa as "Boas Novas" do Evangelho não são boas e não são novas; não são novas uma vez que a Europa é berço do Cristianismo e não são boas, porque em relação ao Cristianismo a Europa é como uma mulher que se divorcia e guarda ressentimentos,mágoas e tristezas do seu ex-cônjuge - foi em "nome Cristo" que lá ocorreram guerras e irmãos mataram irmãos. Bem verdade que viveu-se por muitas vezes qualquer coisa menos o  genuíno Evangelho de Jesus de Nazaré. Nos últimos 10 anos na Europa foram fechados 200 templos por mês!
A Igreja tem deixado de ser referencia na sociedade como um lugar que fala do divino, do sagrado, de Deus. Com isso esse importante Sinal do Reino de Deus tem deixado de ser um Sinal Relevante da presença do Reino de Deus em muitos locais.
A irrelevância da igreja, a negação rejeição da igreja é uma afronta ao Senhor Jesus. Olha como era a Igreja nos seus primeiros momentos: Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Atos 2, 47
E nós, os Cristãos, somos os maiores responsáveis por isso! Não é cultura, espírito da época, demandas da economia, pluralidade religiosa – Estas coisas afetam a Igreja, mas não a fecha. A palavra de Deus (Mt 16, 18) diz que as portas do Inferno não prevalecerão sobre a Igreja”. Não é o Diabo que fecha igreja, mas é a própria igreja que se torna obsoleta, desnecessária, as vezes até inconveniente quando faz mais mal do que bem (1ª Carta aos Corintios 11, 17). Se assim se porta como uma comunidade local é melhor que fecha ou sofra um disciplina de Deus, um Avivamento ou Re-avivamento – MAS SÃO OS CRISTÃOS QUE FECHAM IGREJA!
No Brasil, apesar do aumento de número de Evangélicos, isso não quer dizer que o Evangelho de Jesus esteja se expandindo. O tem se exposto a igreja evangélica, não tem sido Evangelho.
No último senso foi constato um aumento de 0,7% para 2,9% (é pouco, mas aponta uma tendência) de Evangélicos nominais que nasceram no seio de uma família evangélica, consideram-se evangélicos, mas, a semelhança do que acontecia somente no catolicismo romano, são não-praticantes e também abandonaram a vida comunitária em igreja. Nas igrejas evangélicas, onde o cristão nominal, que tinha um cultura Cristã tinha a oportunidade de ser um Cristão praticante, onde experimentava uma experiência real com Jesus, agora também possui cristão nominais.
         Isso tudo faz-nos pensar e refletir sobre pra que serve a igreja? Não a “universal”, mas a comunidade local como esta – uma comunidade Cristã Evangélica.
E nesse texto posso tirar umas 5 respostas a essa pergunta que passo a compartilhar com vocês agora. E o primeiro...

I – é que a Igreja é a comunidade que preserva a memória da pessoa e obra de Jesus Cristo
O que Jesus fez? O que Jesus faz?...
Isso vemos quando a palavra nos diz que perseveravam na doutrina dos apóstolos (42) e no partir do pão nisso reforçavam a sua fé experimentada.
Existe dois tipos de Fé: Fé Confiança que faz com que uma pessoa diga “eu confio em Deus” e em situações de sua vida exclame “graças à Deus” porque acredita e tem confiança de sua intervenção em determinadas situações. E a Fé Crença onde o meu crer também me permite falar em algumas coisas a respeito desse Deus (Ele é Amor, Misericordioso, Justo, é Trino). Creio que Jesus é (1) Deus encarnado (não só profeta, não um reformador do judaísmo, não só um crítico do sistema político-econômico). (2) Nasceu de uma virgem pelo Espírito Santo; que, (3) como foi discutido pelos cristãos nos primeiros séculos, no Concilio de Calcedônia que Jesus é 100% Deus e 100% Homem (“vero Deus vero homem”).
E o conjunto crenças são refinadas em doutrinas que respondem as questões particulares, individuais e comunitárias.
A Ceia do Senhor é revelação do amor de Deus para nós, da sua graça.      Lembra-te de que Jesus Cristo, que éda descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho;” 2ª Carta à Timóteo 2,8 Então a igreja tem esse papel de preservar a memória de Cristo e a doutrina
Mas a igreja também se presta ao papel de...

II – Manter vivo o mistério e viva a esperança de algo extraordinário para além do visível
E sabemos que isso é Deus, pois ele se envolve em tudo isto, por isso Paulo cita os filósofos gregos diz que nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.” Atos 17:28.
E esse Deus se manifesta, surpreende, contraria realidade, prognósticos, diagnósticos. Quebra lógicas das estáticas, oportuniza novas oportunidades.
Vemos isso quando lemos que os apóstolos faziam sinais e maravilhas (2,43)
Aqui temos o milagre de Deus – A providência de Deus!
Preserva a expectativa do novo, do inusitado... esse assombro e temor” (2,43) das pessoas em virtudes dos sinais realizados.
Milagres sejam quais forem até o de você falar com a pessoa certa, receber o telefonema certa, o ônibus certo – as “coincidências” da providência de Deus.
O mistério de Deus que habita no meio de nós e a tudo perpassa.
Tem a igreja tem a missão de...

III – Manter a oferta de amor de Deus em resposta a solidão humana
Na igreja deve haver o abraço, o carinho, o amor, não a solidão.
Em meio a um mundo de Segregação, Afastamento e Individualidade a igreja é a comunidade do amor sem critério.
A Igreja é lugar de Libertação, Perdão, Reconciliação (2ª Carta aos Coríntios 5,17-20), de Começar de novo, lugar onde todos devem dizer “eu não te condeno”.
Lugar de cuidar daqueles que não podem cuidar de si mesmo, por isso cada um contribui de acordo com as suas possibilidade e recebe conforme sua necessidade – e não há entre estes necessitado algum. Igreja é o local de manifestação amor de Deus pela fraternidade.
Outra missão ainda...

IV – Manter vivo o testemunho da presença do Reino de Deus no mundo
O mundo não está preso a um mecanismo automático de degeneração há um povo que existe e que age louvando aDeus cai na graça de todo o povo” (2,47)
“Deus nos chamou a ser diferentes e não esquisitos” – A igreja é um lugar de gente diferente, é a comunidade de Deus a serviço do testemunho da presença de Deus no mundo – desafiada a viver o prega pra poder pregar o que vive.
HÁ POSSIBILIDADE DE VIVER DIFERENTE! E o Reino de Deus não é algo do qual se ouve, mas é algo que a gente vê. Leia o Evangelho de João 1,45-46 (encontro de Felipe com Natanael acerca do “achado” Jesus o 1º diz ao 2º “vem e vê”)
Por fim, a igreja...
V – Mantém viva a realidade da ressurreição
A grande notícia é: JESUS ESTÁ VIVO!
A igreja fala para o futuro, pra frente, para o amanhã – HÁ POSSIBILIDADE DE FUTURO, DO NOVO, DE COMEÇAR DE NOVO.
O ser humano é capaz de mudar, de ter um novo começo.    Alguém pode dizer... “que mundo esquisito é esse?” E a Igreja responde "É esquisito sim, mas não será pra sempre." Outro diz “que mundo ruim, Deus não pode ter feito assim” a Igreja deve responder: Não, Ele não fez assim e por isso ele não será para sempre assim... 
A PALAVRA FINAL DE DEUS NÃO É MORTE, MAS RESSURREIÇÃO. JESUS MORREU POR NÓS, MAS RESSUSCITOU!
Meus caros irmãos, nada substitui as relações, os contatos, o afeto, a comunidade – À você que prefere a vida virtual: Os “entranháveis afetos e compaixões” Carta aos Filipenses 2,1 são insubstituíveis!
A igreja está no coração do caminho da fé, e nisto consiste e a torna um Sinal do Reino de Deus. E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento.” 2 Coríntios 2:14
Glorificado seja Deus que em Cristo Jesus sempre os conduza em triunfo. Amém!

PS: Sei que a igreja tem joio (gente ruim), mas quer encontrar trigo (gente boa, parceira, que anda contigo a milha que for) isso você encontra na Igreja!

14/11/2012

SINAIS DO REINO (2/4) - NOSSA MISSÃO

Essa é a parte 2 de 4  do estudo "Sinais do Reino" levado por mim à Primeira Igreja Batista em Vila da Penha (Novembro/2012)

            Quando se estuda filosofia a orientação é não ignore ou subestime o óbvio. Lembro que não demos muita importaria para isso na aula de filosofia. Então o professor passou um trabalho, a priori, simples de definir: “O que é coragem?”             Ninguém soube definir! Só se dava exemplos, mas ninguém soube teorizar.   Assim são com as nossas coisas aqui na Igreja, a gente precisa voltar por vezes àquilo que parece ser simples para que possamos teorizar, saber dizer sobre com cuidado de uma coisa:
                                               Prática sem teologia é ativismo
                                               Teologia sem prática é mero pensamento filosófico
            Vamos lá...
           
QUAL É A NOSSA MISSÃO? MINHA, SUA, DA IGREJA, DE TODOS NÓS...

Para responder essa pergunta há algumas respostas prontas e Missão da Igreja é...
  • "Manifestar a Glória de Deus". Mas que é Glória de Deus? Ou ainda o que é "manifestar a glória de Deus"?
  • "Fazer discípulo". Como? Quando? Por quê? "Ah, pq a vida de todos tem um vazio... é difícil..." Mas num contexto diferente de riqueza? As dificuldades nem são tantas assim. Que dão no mínimo uma sensação de virtual alegria.
           
            Qual seria uma resposta pra quem não é do meio? "Salvar"! Mas o que é salvar? "Levar para o céu"! Ah, então está explicado: para que uma linguagem terrena se quero levar pro céu? É por isso que vemos hoje um vocabulário próprio nas igrejas: “E ai varão, está na benção? Azeite Puro? Isaque, está procurando sua Rebeca?” Na música ♪ “Incendeia Senhor a sua noiva, incendeia  Senhor a sua Igreja, incendeia Senhor a sua casa, Vem me incendiar” ♫ (O que significa todas essas coisas? Perguntaria um de fora.) E vive-se o dualismo: Igreja x Mundo... Sagrado x Profundo
            Temos um projeto para o céu quando quem tava no céu veio pra terra. Redenção é na terra, o palco de atuação é na terra. O céu está garantido, não há que se falar de reconciliação lá. O ministério da Reconciliação é projeto para a Terra (I Co 5,18-21). O projeto é em vistas a redenção pra ser realizado na Terra, dignidade restaurada e transformações de pessoas na Terra. Gosto dessa difinição:

            “A missão é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado (pleno) lá e além.” Bp. Robinson Cavalcante

PORQUE CUMPRIR ESSE PROJETO?

            Pecado desconfigurou toda a relação de Homem X Deus / Homem X Homem / Homem X Próximo / Homem X Meio.
            Instaurou-se o caos. Não conseguimos entender Deus, à nós mesmo, as relações sociais são doentes (coisificação de pessoas, interesses naquilo que a pessoa pode oferecer), usamos o ambiente de maneira que já não se pensa mais na possibilidade do caos retroceder.
QUAL É MISSÃO?

Na instância pessoal
“O coração do problema humano é o problema do coração humano” John Stott (Pastor e Teólogo Anglicano)

"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.Gálatas 2,20  O desafio, a utopia é se parecer com este paradigma que é Jesus de Nazaré. Em Cristo vemos Deus como Ele é e o homem como ele tem que ser. Exemplo de humidade, é o jeito de ser gente.
“Olha pra Jesus e não pra mim”!? Devemos pagar o preço de querer ser igual a Jesus Sede meus imitadores” I Co 11,1 Esse Paulo é o mesmo Paulo Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” (Rm 7,19), mas está em constante luta interna para se parecer com Jesus.
Pagamos esse preço? Qual o testemunho que as pessoas tem de mim?
David Lvingstone foi missionário pioneiro na África e quando as missões chegaram lá, os nativos davam testemunhos que aquele Jesus eles já conheciam, ele tinha passado por aqui. E eles estavam se referindo a Livigstone, quando apresentou-se o caráter de Jesus, os nativos cuidaram que estavam falando desse missionário tal era sua integridade como pessoa. Isso é levar Cristo às pessoas e não as pessoas a Cristo.

A evangelização em palavras é uma reação, porque o natural é você viver de tal forma que inspire as pessoas a perguntarem por que você é assim. Não porque você é esquisito! Mas porque você tem um jeito de ver o mundo, de lidar com as questões de se relacionar que as inspiram a buscar ser assim.
Mas é mais fácil entregar folheto do que investir na vida de uma pessoa. “Evangelizar é anunciar a mudança radical da história, mas é também trabalhar por essa mudança” Ariovaldo Ramos (Pastor, Teólogo e Filósofo)

Se parecer com Jesus e promover a possibilidade de pessoas também quererem se parecer com Jesus, na...

Na instância relacional Jo 15; 16, 12-14; 17, 1-5 (Clique nos links para ler)
Cada relação mais parecida com a trindade. Estabelecer relações como a trindade estabelece suas relações. Como a trindade estabelece suas relações? Através da alteridade. Preferindo o outro.
Filho cumpre e obedece a obra que é o Pai; O pai que diz “Eu vou te glorificar” e; Sobre o Espírito diz que ele confirmará a obra do Filho que obedece ao Pai e o Espírito é que vai falar aquilo que é do Filho, que recebeu do Pai e, aquilo que é do Pai delegou ao Filho. Ou seja, é um ser que coexiste perfeitamente que não se sabe distinguir direto quem é quem uma diferenciação, um vive pelo outro; de fato são só um.
A lógica de mercado é “diferenciação” se investe recursos e tempo para se ser o que não é. Não se preocupa com o outro, só se quer aceitação e retirar vantagem.

Reino de Deus não é uma construção geográfica, mas um acontecimento. Sempre quando um acontecimento dá dignidade, humaniza acolhe emancipa o Reino de Deus está acontecendo.
O outro infringe a minha individualidade, ele invade o meu espaço e se não consigo olhar com esse olhar de humanização, vai continuar tudo igual e a Igreja será irrelevante.
Faça pelos outros, o que gostaria que fizessem com você. Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo oque o homem semear, isso também ceifará”. Gl 6,7


Na instancia social Mt 6 “venha o teu reino e seja feito sua vontade assim na terracomo no céu Cada ambiente mais parecido com o Reino de Deus.
A nossa relação com as estruturas sociais devem promover nesse encontro dessas estruturas sociais com Reino de Deus nessa terra.
Mas hoje se escolhe por profissão por aquilo que é mais rentável. Nisso a estrutura nos tem e nos possui. Ter significado e sentido. Será que estou fazendo aquilo que fui chamado a fazer. Se libertar! Se tem uma coisa que pra vc é tão importante que não pode dar a essa coisa, não é vc que tem essa coisa, mas a coisa que te tem.
Qual é a nossa relevância no que estamos fazendo? Tem sentido, tem significado?

É importante estudar a estrutura, fazer perguntas à ela, saber quais são as perguntas, para atender suas necessidades. “Jesus é a resposta, mas qual é a pergunta?” A Necessidade parte não do interlocutor, mas do receptor – de quem receberá a mensagem, isso também está na dinâmica de dar a atenção ao outro.
Você tem que se levantar para ser profeta e resolver o problema. Isso é ser membro de uma igreja relevante.
“Aquele sem o espírito de diácono são orgulhosos demais para fazer coisas pequenas, são preguiçosos demais para fazer grandes coisas. Seu serviço é medíocre, não transforma ninguém. Mas o bom diácono é servo e faz acontecer.” Timothy J. Keller. (pregador e escritos EUA)
CONCLUSÃO
Temos que trocar os óculos do “emsimesmamento” do ostracismo e colocar o óculos de Jesus. Que nos enche passa a viver em nós, a ver como ele ver, agir como ele age, relacionar como ele se relaciona, decidir como ele decide – para que sejamos sinal do Reino.
A Missão “ide” começa com Toda a autoridade me foi dada nos céus e na Terra” Mt 28,18. O papel missionário nosso é fazer com que o papel da autoridade de Cristo aconteça na Terra como ela é plana no céu.
Sempre que a autoridade de Cristo é infringida na Terra é porque faltou um de nós para colocar ordem no caos e dizer “o pecado chegou até aqui, mas daqui não passa porque eu cheguei para ser a voz de Jesus nesse lugar, buscando ser parecido com ele”. Vontade de Deus é a cabeça (Cristo) se operacionalizando no movimento do corpo. Pessoas mais humanas, mais dignas, mais parecidas com Cristo; comunidades mais atentas ao próximo e; ambientes mais parecidos com o Reino de Deus.

SINAIS DO REINO (1/4) - INTRODUÇÃO

Essa é a parte 1 de 4  do estudo "Sinais do Reino" levado por mim à Primeira Igreja Batista em Vila da Penha (Novembro/2012)


            A primeira consideração que temos que fazer aqui é justificar o tema dessa série de estudos.
            Eu gostaria de pensar com você: se você fosse escolher ou responder qual é o tema central da Bíblia Sagrada o que responderia?
Deus (?) Jesus (?) Salvação (?) Céu X Inverno (?)
            Minha percepção ao ler o texto de Hebreus 1,1-2 é que o tema central da Bíblia é: O REINO DE DEUS.
            Por Hebreus 1,1-2 podemos concluir que a revelação se completa e se consuma na pessoa de Jesus Cristo. Logo devemos prestar atenção no conteúdo da mensagem de Cristo. “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo;

Sobre o que falou Jesus?

            No início do ministério Segundo o Evangelho de Marcos 1,14-15 logo depois do seu batismo Jesus faz a seguinte declaração “14 Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus 15 e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

            Essa Boa Nova, este Evangelho (a chegada do Reino de Deus) é tão enfática que no relato do Evangelho de Lucas 17,20-21 os fariseus perguntam para Jesus viria o Reino de Deus (RS! eles tinham probleminha, Jesus anunciava que o Reino já era chegado e eles perguntam quando viria o Reino de Deus!? RS!) “20 Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus,respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; 21 nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está entre de vós.


            Os discípulos assumem essa tarefa!
Está bom ou quer mais?
  • Pedro também na sua carta somos Reino de Sacerdotes e fala do sacerdócio santo (adoração) e sacerdócio real (serviço)
Eram boas notícias do Reino! “O Reino de Deus está aqui”
            Por isso que posso defender que a mensagem central da Bíblia é o Reino de Deus. Que é reino de Paz, Justiça, Alegria, Contentamento, Abundancia, Plenitude, Harmonia, Prosperidade (para todos), Reconciliação.
            O nosso tema é “SINAIS DO REINO”. Ser sinal do Reino é apresentar no mundo e ao mundo essa presença do Reino. Para explorar o tema a primeira coisa que vamos tratar é a “NOSSA MISSÃO”.

11/11/2012

AH, O AMOR...

Sermão pregado por mim na Primeira Igreja Batista em Vila da Penha (11/Novembro/2012).


        A declaração que me salta os olhos nesse versículo é a ação de amor que nele está expresso. “o Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” porque... e o escritor fica impactado por esse amor de tal forma que quer se fazer um como aquele que o amou.
     
O que é o amor? É difícil definir.

        Existe na filosofia uma coisa chamada “Maiêutica Socrática” era um exercício que Sócrates (469-399 aC) fazia com seus discípulos que:
·         Em 1º lugar ele os fazia duvidar do seu próprio conhecimento a respeito de um determinado assunto;
·         No 2º momento ele fazia com que seus discípulos concebessem uma nova idéia, uma nova concepção sobre esse assunto através de uma série de perguntas realizadas de maneira bem perspicaz, bem feita, direcionada.

        Platão (428-348 aC) se apropria dessa metodologia e busca conceituar as coisas de uma “maneira pura”. E ai ele pergunta “o que é coragem?” Seus discípulos começam a responder suas respostas, na verdade, são elas exemplo de coragem, mas a busca é por um conceito universal de “coragem”.
        Eu não sei qual foi o resultado dessa busca, qual foi então o conceito formulado para definir “coragem”. E eu também não saberia dizer ou buscar uma definição para a palavra “amor”.

        Não conseguiria falar do amor, mas do “amar”; o que faz quem ama? Imagino que o amor, e veja se você concorda comigo, (1) acontece quando eu abro um espaço no “palco da minha vida” à outra pessoa. Quando eu abro um espaço no espaço que é 100% para que outra pessoa esteja presente, possa existir no meu horizonte de possibilidades.

        Abrindo espaço para essa pessoa eu também e (2) reconheço o direito, a dignidade, o valor dessa pessoa que agora divide o espaço que deixou de ser só meu.

Eu (3) assumo o compromisso de cuidar dessa pessoa. Passo a cuidar dessa pessoa com o mesmo zelo que cuido de mim.

Os (4) meus planos consideram a presença dessa pessoa.
       
E digo a este pessoa a quem eu amo: Esse espaço era meu e somente meu, mas eu abro espaço para você e reconheço seu valor e a sua dignidade, não sou melhor do que você, nem você melhor do eu, e abrindo esse espaço para você assumo o compromisso de cuidar de você.” ISSO SERIA ÓTIMO se fosse recíproco, correto?

        Mas não é bem assim que acontece, pois, não raras vezes a pessoa com quem você dividiu o espaço que era originalmente só seu começa a achar que o espaço dela é pouco e que merece mais. Ai, com relação a essa pessoa que eu abri mão de um espaço meu, se eu tinha dois e agora eu tenho um, porque o outro eu te dei (vou te colocar nessa pra ilustrar melhor). Só que você acha que talvez eu não precise desse um que ficou comigo e me pede parte desse meu um. E faz chantagem! E diz: “Você não me ama, porque você não me dá um pouco da sua parte!?” (cara-de-pau, não?) E ai, por amor, (5) eu dou um pouco do que tinha ficado comigo, e mais um pouco até que, por amor, eu entrego tudo.

        Amar é ser persistente no cuidado ao outro ainda que com dano próprio ou sacrifício.

Ainda que convivendo com eventuais usurpações de direitos, que eu tenha que fazer a renúncias e limitar-me ao espaço mínimo, porque você egoísta como é, quer ocupar todo o espaço. E porque eu te amo a cada novo passo que você dava aumentando o seu espaço, eu dei passos para a borda do meu palco até que fiquei na pontinha e você se vira pra mim e diz “Quer saber, eu preciso dessa pontinha, ela esta me fazendo falta!” E você me empurra para fora do palco.
E minha pergunta agora é:...
       
Foi ou não foi essa a atitude que tomamos em relação a Deus?

        Que sendo criador de tudo, no seu amor,
1.   Ele nos criou (NÃO COMO ROBÔS, MAS) dotados de inteligência, de autonomia e dignidade. No espaço que era só dele, ele nos permitiu viver e...
2.   Ele se comprometeu a cuidar de você e de mim. Mas qual tem sido o nosso comportamento em relação a Deus senão de achar que o espaço que Ele nos deu é pouco e fomos afastando Deus da nossa vida?
3.   E ele cada vez mais foi nos dando mais coisas, se revelando através da Lei, dos Profetas, por fim ele entregou aquilo de mais preciso que ele tinha – O seu Filho, que “subiu no palco” para nos anunciar o Reino de Deus, reino de amor de Paz, Justiça, Harmonia... Mas nós não o acolhemos o fomos o rechaçando, repelindo do palco e quando ele estava na pontinha alguém foi lá e o pendurou numa cruz.

        E Jesus aceitou a cruz por amor. Mas porque isso?

        Ele aceitou a Cruz isso porque amor não é uma ação de Deus, mas, como diz I João 4,16 “Deus é amor. Está na natureza de Deus amar, deixar de amar é negar-se. Ele tinha duas opções:
        (1) Oferecer resistência à falta de reconhecimento desse amor e se impor. E dizer um chega! Um Basta! Mas ele não fez isso Ele não quer impor que você o ame, ele não quer que você o ame por coação ou coerção (violência), mas pelo prazer de amá-Lo e desfrutar da sua presença e convivência com Ele.
        (2) Ele não se impõe, todas as “manhãs suas misericórdias de renovam” como lembra o Profeta Jeremias em meio as suas Lamentações 3, “21 Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. 22 As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23 Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade”. Renovam a cada manhã suas misericórdias, suas boas intenções e seus bons projetos e a Sua boa, perfeita e agradável vontade (Romanos 2,2) é pensada e gestada no seu ser com planos para nós.
TEMOS UMA DÍVIDA COM DEUS. A FALTA DE REJEITAR O SEU AMOR E SEU CUIDADO
        E se temos uma dívida com Deus, por não ter respondido a este amor, por Jesus nosso “escrito de dívida é cancelado” como fala Paulo aos Colossenses 2, 14 Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial,removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz.
        Escrito de dívida era uma expressão normalmente usada quando havia uma dívida reconhecida pelo devedor. Reconhecendo este amor, reconhecendo a sua falta na resposta à esse amor, você pode responder adequadamente a este amor abrindo o seu coração à Jesus e se tornando um discípulo de Jesus Cristo.

        E isso está a disposição de todos nós na carta à Tito 2,11 lemos que Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens Ela está disponível a todo o homem e mulher e é Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé e isto não vem de vós, é dom de Deus Efésios 2,8

                Aos amigos
        Meu amigo, meu convite hoje é que você se reconcilie com Deus! Porque o seu filho, Jesus Cristo E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;2 Coríntos 5,18
       
Você deseja se reconciliar com teu criador que tanto te ama. Você deseja abrir o seu coração à Cristo, ser um seguidor de Cristo cultivando, manifestando, compartilhando esse tão maravilho e imenso amor?

                Aos irmãos
         Jesus nos ensina a amar, nosso Deus nos ensina a amar na dinâmica do Salmo 18,35 "Tu me dás o teu escudo de vitória; tua mão direita me sustém; desces ao meu encontro para exaltar-me". Nós fomos escolhidos por Deus para descer:
·         Na auto limitação, na auto-humilhação;
·         Dar a quem pede a nossa túnica, a dar a capa também;
·         A caminhar mais uma milha;
·         Para perdoar não 7, não 70 x 7, mas sempre;
·         Descer para conquistar/cativar em amor;
·         Cativar caindo na graça de todo o povo.
Como conquistar se por vezes nós somos tão antipáticos a quem queremos alcançar? Quem não estiver disposto a descer não terá como viver a experiência do amar. Abrir espaço ao próximo e ama-lo, cuidar, amar incondicionalmente. nisto reconhecerão que são meus discípulos se amarem unsaos outros.

01/11/2012

REFLEXÕES SOBRE A TEOLOGIA DA MISSÃO INTEGRAL

Esse texto é de Jorge Pinheiro em que procura fazer um resumo do que vem a ser a Teologia de Missão Integral. o Texto é um poco extenso, mas é interessante para quem deseja ter um ideia melhor sobre o que vem a ser essa Teologia nascida em berço latino-americano.


Por Jorge Pinheiro

Nesses estudos que começamos a desenvolver sobre a Teologia da Missão Integral queremos reafirmar alguns conteúdos e expor outros. Assim, começamos, à guisa de definição, afirmando que a TMI é comunicação e presença do evangelho. Com isso queremos dizer que essa teologia correlaciona comunicação e presença, sem colocar um sinal de igualdade entre essas realidades e sem declarar que necessitam sempre ser levadas a termo juntas. Na Teologia da Missão Integral, a comunicação tem conseqüências sociais porque convoca pessoas e comunidades ao arrependimento e ao amor pelos outros em todas as áreas da vida.

A Teologia da Missão Integral vê compromisso social como comunicação e presença, que tem conseqüências para a proclamação da boa nova que se dá através do testemunho da graça do Cristo. Quando há silêncio e cruzar dos braços diante dos sofrimentos do mundo, a Palavra é traída, já que nessas circunstâncias não há o que oferecer ao mundo.

A Teologia da Missão Integral tem como um de seus pilares a diaconia, que em seu sentido cristão significa serviço ao próximo. Diante da alegria pelo que Deus tem feito, ao abençoar as vidas, a Missão Integral propõe como resposta a promoção da diaconia. Nesse sentido, Missão Integral e diaconia são expressões que não podem vir separadas.

Nas primeiras comunidades cristãs, a diaconia teve característica singular de testemunho de fé por meio da vida solidária (At 2.44-45; 4.32-35), já que, como disse Paulo, "se um membro sofre todos sofrem com ele" (1Co 12.26). O fundamento dessa ação solidária repousa nos ensinos e prática de Jesus Cristo. Por isso, para a Missão Integral, o amor a Deus só é possível se este alcança o próximo (1Jo 4.20). Na prática, amar ao próximo consiste em propiciar dignidade humana e reintegração na sociedade (Mt. 9.35+). Por seu ministério e morte, Cristo assumiu a fraqueza humana e sofreu o poder de morte do mundo para, então, superá-los. Assim, a Teologia da Missão Integral desafia ao testemunho do amor de Deus, enquanto ação solidária.

A Teologia da Missão Integral é sentido e luta incondicional pela justiça, entendendo que a justificação pela graça, através da fé, não se refere apenas a fé posicional, mas existencial. É uma instrução de que falamos de Cristo na vida da comunidade de tal maneira que a justificação se transforma em vida aberta. E, assim, é fé material, política, e espiritual, já que transformação da pessoa e transformação estrutural estão correlacionadas. Ser, fazer e dizer, então, estão no coração da teologia da missão integral.


A Teologia da Missão Integral é uma teologia da transformação holística.

1. É uma teologia da centralidade em Cristo, pois a vida de serviço sacrificial de Jesus é o paradigma. Em sua vida e por meio da sua morte, Jesus estabeleceu o modelo de identificação com os excluídos e o exercício da inclusão. Na cruz, Deus revela a seriedade com que Ele olha para a justiça e reconcilia consigo integrados e excluídos, ao cumprir com os requerimentos de sua própria justiça. No caminhar com os excluídos de bens e possibilidades, serve-se no poder do Senhor por meio do Espírito e encontra-se a esperança em submeter todas as coisas a Cristo.

2. É uma teologia da graça de Deus, que concede impulso à comunicação permanente onde todo e qualquer locus é campo privilegiado. Como receptores do amor somos pessoas agraciadas pela generosidade e aceitação dos demais. Tal graça define a justiça frente à situação-limite vivida pelo povo brasileiro, não somente como contrato que deve ser honrado, mas como serviço àquele que se encontra à margem, caído.

3. É uma teologia do Espírito, um convívio com o Espírito, já que este é o sentido cristão da palavra espiritualidade. Dessa maneira, a idéia de uma vida forte, a idéia da vitalidade de uma vida criativa a partir de Deus nos leva à espiritualidade, ou seja, a uma vida espiritualizada por Deus.

Por isso, podemos dizer: as pessoas procuram a Deus porque o Espírito as atrai para si. Estas são as primeiras experiências do Espírito no ser humano. E o Espírito as atrai como um imã atrai as limalhas de ferro. O íntimo e suave atrativo de Deus é experimentado pela pessoa em sua fome de viver e em sua busca de felicidade, que nada no universo pode satisfazer ou saciar.

A espiritualidade da vida se opõe à mística da morte. Quanto mais sensíveis as pessoas se tornam para a felicidade da vida, mais sentem a dor pelos fracassos da vida. Vida no Espírito é vida contra a morte. Não é vida contra o corpo, mas a favor de sua libertação e sua glorificação. Dizer sim à vida significa dizer não à guerra e suas devastações. Dizer sim à vida significa dizer não à miséria e suas humilhações. Não existe uma afirmação verdadeira da vida sem luta contra tudo que nega a vida.

O Espírito é o acontecer da presença atuante de Deus, que penetra até o mais íntimo da existência humana. Ele atua como força de vida no ser humano e transforma aqueles que se encontram sob o senhorio de Cristo.

Cria espaço, põe em movimento, leva da estreiteza para a amplidão. Cria o horizonte e nas nossas vidas amplia o horizonte. Na experiência com o Espírito, Deus não é experimentado somente como Pessoa da Trindade, mas também como aquele espaço e tempo de liberdade onde o ser humano pode se desenvolver.

E onde está o Espírito há liberdade. Com essa experiência do Espírito, Paulo falou sobre a liberdade cristã. Mas para falar da liberdade no Espírito é necessário começar pela fé.

A fé é geralmente entendida como uma concordância formal com a doutrina da igreja ou como uma participação na fé da igreja. Mas a fé que liberta é mais do que isso, é uma fé que nos envolve pessoalmente. A fé que me faz livre não é somente a fé com a qual eu concordo, mas aquela que me leva a partir e repartir o pão e o vinho. Tal fé pessoal é sempre comunitária e o início de uma liberdade que renova inteiramente a vida e vence o caos.

Essa fé é uma experiência que não abandona aqueles que a vivenciam realmente: é libertação do medo para confiança, reviver para uma esperança viva, amor incondicional à vida.

Para a fé que parte e reparte pão e vinho, a liberdade não consiste nem na compreensão de uma necessidade histórica, nem na autonomia sobre si próprio e sobre a propriedade, mas sim no ser tocado pela necessidade do outro que sofre. Fé significa assim, posicionamento existencial, ser criativo diante dessas gentes brasileiras, com suas comunidades, com Deus e no seu Espírito. Crer leva a uma vida criativa e vivificante pelo amor. Crer, por isso, significa ultrapassar os limites da realidade determinada pelo passado marcado pela escravidão e pela exclusão e buscar as possibilidades da vida que não se realizaram. E é essa fé que livra da força do mal, da lei das obras e do poder da morte e leva a uma comunhão direta com o meu próximo e eterna com Deus. Essa é a base e o fundamento da liberdade no Espírito.

4. É teologia da imagem de Deus, e nesse sentido uma teologia para os excluídos, que como todos os humanos são portadores da imagem de Deus Criador. Pessoas e comunidades excluídas de bens e possibilidades têm conhecimentos, habilidades e recursos. Tratar tais pessoas com dignidade significa propiciar condições para que sejam arquitetos de mudança em suas comunidades. Trabalhar com elas envolve a construção de relações que conduzem a uma mudança mútua.

5. É uma teologia para a Igreja, porque Deus por sua graça tem dado as comunidades de fé o desafio da comunicação. O futuro da comunicação se define em termos de expansão do reino de Deus, capacitando as gentes para que transformem suas comunidades. As comunidades de fé devem gerar espaços e tempos de inclusividade, como fruto natural do chamado que receberam. As pessoas e mesmo as comunidades são atraídas por este fazer de amor das comunidades cristã. E é a partir daí que são impactadas pela mensagem cristã.

6. É uma teologia para o Reino de Deus, comunitária, porque a experiência de caminhar com as comunidades excluídas deixa uma interrogação sobre o que significa ser comunidade de fé. A igreja pode ser mera instituição ou organização, mas é nas comunidades de fé em Jesus que se concretizam os valores do Reino. A participação dos excluídos na vida das comunidades de fé possibilita o encontro de novas maneiras de ser igreja no contexto da cultura brasileira, ao invés de ser simples reflexo dos valores da subcultura dominante. A comunicação tem credibilidade na medida em que adota uma aproximação encarnada. Com freqüência as comunidades de fé têm-se dedicado à obtenção de dinheiro, êxito e influência. A comunidade que Jesus Cristo denominou seu pequeno rebanho faz parte do Reino de Deus. As tradições eclesiásticas não podem dificultar o que a Igreja já fez pela expansão do Reino. A igreja pode enfrentar o problema da miséria quando trabalha com os miseráveis e, a partir daí, pressiona atores sociais com a sociedade civil, os governos e o setor privado, sobre a base do respeito mútuo e o reconhecimento do papel de cada participante.

7. É uma teologia social, de apoio às transformações sociais que favoreçam os excluídos e caminhem na direção de acabar com a miséria no Brasil. Vejam de onde vierem essas ações transformadoras. Tais atividades se ampliam para incluir avanços em direção à transformação de valores, o reconhecimento da dignidade das comunidades e a cooperação em questões de justiça. Com sua presença ao lado dos excluídos, as comunidades de fé colocam-se numa posição singular que favorece o trabalho para restaurar a dignidade concedida por Deus, apresentando valores para que produzam recursos próprios e criem redes de solidariedade.

8. É uma teologia da cidadania, de consciência de direitos e deveres de cada pessoa como integrante de uma coletividade, entendendo-se essa coletividade em todas as instâncias do Reino de Deus e de sua presença no mundo. Isso pressupõe a igualdade, que transpõe barreiras de nível sócio-econômico, de etnia, de faixa etária, de sexo, de cultura, de situação civil, de deficiência física, de instituição e, também, pressupõe a unidade na pluralidade, pois trata da existência humana sobre a face da terra, e seu direito à vida, à liberdade, à propriedade, ao trabalho, à educação, à saúde, ao entretenimento e à cultura. É uma teologia por si só inclusiva, pois se contrapõe à opressão, à omissão, à rejeição e à massificação. É também uma teologia espacial, pois considera o mundo como oikos, precisando ser preservado, cuidado, adaptado, sinalizado, para usufruto e bem estar do ser humano; o que integra as demais criaturas de Deus, como parte de seus direitos e deveres, de coroa da Criação.

9. É uma teologia ecológica, que envolve o uso responsável e sustentável dos recursos da criação de Deus e a transformação das dimensões morais, intelectuais, econômicas, culturais e políticas da vida. Isto inclui a recuperação de um sentido bíblico de mordomia. O conceito bíblico do sábado recorda que se deve por limites ao consumo. Os cristãos integrados no Brasil devem usar sua riqueza e seu poder a serviço dos demais. É um compromisso de trabalhar para libertar os ricos de sua escravidão ao dinheiro e ao poder. A esperança de tesouros no céu livra da tirania de Mamon.

10. É uma teologia do amor, da paz e da reconciliação, porque num mundo de conflitos e tensões étnicas tem-se falhado na tarefa de construir pontes. A Teologia de Missão Integral trabalha pela reconciliação entre comunidades divididas etnicamente, entre integrados e excluídos, entre opressores e oprimidos. Reconhece o mandato de falar por quem não pode clamar por si mesmo e, também, a necessidade de defensoria tanto para tratar da injustiça estrutural, como para resgatar o próximo necessitado. Essa teologia clama por outra globalidade, solidária, pois a globalização excludente é o domínio de culturas que têm o poder de promover seus produtos, tecnologias e imagens além de suas fronteiras. A luz deste fato, as comunidades de fé com sua rica diversidade desempenham um papel singular por ser uma comunidade verdadeiramente global.

E, por fim, nessas reflexões da Teologia da Missão Integral para nosso continente, diremos que é uma teologia da solidariedade latino-americana, que faz a crítica da globalização selvagem e chama pessoas e comunidades cristãs à uma solidariedade com a América Latina, construída ao redor de propostas e ações de justiça e paz. A Teologia da Missão Integral considera que os países desenvolvidos devem reconhecer seu papel no desenvolvimento de uma economia global solidária, onde estão incluídas novas formas de pensar e agir em relação ao continente latino-americano.

A Teologia da Missão Integral reconhece o valor do planejamento, da organização, da avaliação e de outras ferramentas similares, mas afirma que estas devem estar a serviço do processo de construção de relações e valorização dos excluídos latino-americanos, sejam eles pessoas ou comunidades.

Dessa maneira, a Teologia da Missão Integral faz um chamado à solidariedade latino-americana, entendendo que pessoas e comunidades cristãs devem ajudar aqueles que clamam pelos Direitos Humanos essenciais e apoiar aqueles que se dedicam a melhorar as condições de vida e possibilidades das populações na América Latina.

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